Câmara aprova aumento de até 1.733%
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segunda-feira, 20 de julho de 1998
Sid Sauer 
A Câmara de Vereadores de Campo Mourão aprovou ontem de manhã, por 8 votos a 4, o projeto de lei que prevê aumentos salariais que variam de 58,29% a 1.733% para vereadores, prefeito e vice-prefeito. A votação aconteceu em sessão extraordinária convocada especialmente para analisar a questão, em pleno período de recesso. O segundo turno de votação será hoje, a partir das 8 horas, e, se a aprovação for repetida, os vereadores garantem um aumento de 58% ainda para o salário deste mês, que salta de R$ 1,59 mil para R$ 2,52 mil.
O maior aumento, no entanto, é para o vice-prefeito, que passa dos simbólicos R$ 138,00 (piso mínimo da prefeitura) para R$ 2,52 mil, num reajuste de 1.733%. Já o ordenado do prefeito salta de R$ 4,62 mil para R$ 8 mil. O prefeito Tauillo Tezelli (PSDB), no entanto, já avisou que vai vetar o projeto na íntegra. Caso a Câmara derrube o veto, ele pode devolver a diferença aos cofres públicos. O vereador Edevaldo Louzano (PTB), que faz parte da bancada de apoio ao prefeito, confirma que um eventual veto deverá ser derrubado.
Temos os oito votos necessários para o derrubar o veto, explica. A votação de ontem lotou o plenário da Câmara. A maioria do público era composta por servidores municipais, que estão sem reajustes salariais há dois anos. Eles levaram faixas e chegaram a vaiar e a dar gargalhadas irônicas durante o pronunciamento dos vereadores que defendiam o aumento. Quem com voto fere, com voto será ferido, dizia uma das faixas. Júlio Vieira dos Santos (PDT) foi o mais vaiado ao justificar o aumento dizendo que tem vereador trabalhando assustadoramente.
A aprovação do reajuste já era esperada, uma vez que a proposta tinha conseguido unir as bancadas de situação e de oposição. Ainda antes da votação, foi possível saber quem votaria a favor do aumento. É que o pedido para que a votação fosse nominal, feito pelo vereador Sérgio Martinhago (PT), foi rejeitado por 8 votos a 4. Os mesmos vereadores que votaram contra a votação nominal em seguida deram os votos que aprovaram o reajuste. Só estamos cumprindo a lei, tentou justificar Santos, para receber novas vaias da platéia.
O vereador argumentou que a Câmara pode gastar com os 15 vereadores até 5% da arrecadação municipal, o que permitiria um salário superior a R$ 5 mil aos membros do Legislativo. João Alves (PMDB) também saiu em defesa pública do reajuste. O público deu gargalhas irônicas quando Alves disse que estava votando com dor no coração por não poder dar o reajuste aos servidores municipais.
Dos oito votos favoráveis ao aumento, cinco foram de vereadores da situação e três da oposição. Votaram contra dois vereadores da situação e dois da oposição.


