Câmara aprova aumento de 330%
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2000
Sid Sauer De Araruna 
Apesar da forte pressão popular, os vereadores de Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão) aprovaram ontem de manhã, em sessão extraordinária, um aumento salarial de 330% para quem continuar no Legislativo no ano que vem. Dos nove vereadores do município, seis foram reeleitos. Com a aprovação de ontem, os vereadores revogaram uma lei aprovada em junho que havia reduzido os salários para R$ 302,00. O novo valor passa a ser de R$ 1,3 mil, mas ainda é preciso passar por uma segunda votação, hoje de manhã.
A aprovação do salário maior aconteceu por um placar apertado: 5 a 4. Foi preciso o voto minerva do presidente Genésio Marques de Souza (PPS), que foi autor tanto do projeto que definiu os salários em R$ 302,00 (antes das eleições), quanto o que elevou os vencimentos para R$ 1,3 mil. A proposta de reajuste foi apresentada 21 dias após as eleições municipais. Dos cinco vereadores que votaram a favor do aumento, quatro foram reeleitos.
A sessão de ontem voltou a contar com um forte esquema de segurança. Apenas dez homens e dez mulheres puderam acompanhar a sessão dentro da Câmara. Eles foram vigiados o tempo todo por dez policiais militares. A PM revistou e anotou o nome e endereço de todos que entraram no plenário. Outras cerca de 100 pessoas ficaram do lado de fora da Câmara, onde também havia a presença do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Militar.
As instalações da Câmara de Araruna são acanhadas. Não há cadeiras para quem assiste as sessões nem microfone para os vereadores. Assim, pouca gente escutou a leitura do projeto. Gritos de manifestantes que estavam do lado de fora foram mais altos. A sessão durou 25 minutos, incluindo a votação de outros projetos. O presidente do Legislativo, que alegou haver erros no primeiro projeto, disse que os descontentes podem recorrer à Justiça.
O primeiro-secretário da Câmara, José Pereira da Silva (PPS), tentou evitar que a matéria fosse votada dizendo que não é permitido votar duas vezes, no mesmo ano, projeto com o mesmo conteúdo. Em vão. Olímpio de Oliveira Caetano (sem partido) chegou a dar parecer contrário ao projeto, dizendo que o salário dos vereadores tinha que ser definido 90 dias antes das eleições. O parecer, porém, foi rejeitado em plenário pelo mesmo placar: 5 a 4.
O projeto será votado em segundo turno hoje, em nova reunião a partir das 9 horas. Se aprovada, a proposta irá para a sanção do prefeito Antônio de Jesus Rorato (PSDB). Ele é a favor do projeto. Já o prefeito eleito Renato Toaldo (PPS) é contra. O projeto também aumenta o valor do salário do prefeito, de R$ 4,9 mil para R$ 6 mil.


