Câmara aprova aumento de 28,5% para congressistas
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quinta-feira, 10 de maio de 2007
Ranier Bragon<br>Folhapress 
Brasília - A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira, o aumento de 28,5% nos salários dos 594 congressistas, do presidente da República, do vice e dos 34 ministros. Apesar de quase todos os partidos terem combinado a medida há semanas, o dia foi marcado por recuos de última hora, discursos tensos e bate-bocas entre governo e oposição.
A aprovação dos reajustes, retroativos a 1º de abril, ocorreu de forma simbólica - sem registro nominal dos votos.
Os projetos - um para o Congresso e outro para o Executivo - têm que ser ratificados no Senado. Juntos, representarão impacto anual de mais de R$ 610 milhões, já que deputados estaduais e vereadores têm salários vinculados aos contracheques do Congresso.
''Impressiona o grau dramático que essa questão suscita. Queria ver essa tenacidade em uma série de outras matérias'', discursou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
Um dos defensores do reajuste, o deputado Carlos Willian (PTC-MG) rebateu: ''Aqui existem demagogos, falsos paladinos da moralidade''.
O índice de 28,5% representa a inflação (IPCA) acumulada entre dezembro de 2002 e março deste ano, descontado reajuste de pouco mais de 1% em 2003. Os congressistas receberam o último aumento em 2003. No fim de 2006, aprovaram aumento de 91%, mas o STF derrubou a medida.
Presidente, vice e ministros tiveram salários fixados em 1995. Desde então, tiveram reajuste de 4,5% contra inflação acumulada de 156%.
O clima tenso começou à tarde, quando o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), já dava o tom discursando ao plenário que a ''Câmara não precisava se envergonhar''. A quarta-feira foi escolhida pelos líderes dos partidos políticos justamente devido à chegada ao Brasil do papa Bento 16, evento que tenderia a atrair grande parte da atenção.
O requerimento pró-reajuste venceu por 355 votos (incluindo 16 do DEM) a 85 (incluindo 11 do PT e 16 do PSDB).


