Câmara aprova afastamento de prefeito
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domingo, 25 de março de 2001
Vânia MoreiraDe Mariluz 
A Câmara de Vereadores de Mariluz (35 km a sudeste de Umuarama) aprovou ontem à tarde, durante sessão extraordinária, o pedido de licença do prefeito Adelino Gonçalves (PMDB). Ele solicitou afastamento por 30 dias, para tratar de assuntos particulares, segundo ofício encaminhado ao Legislativo, na semana passada. O prefeito está preso desde o dia 20, em Curitiba, acusado de ser o mandante dos assassinatos do vice-prefeito de Mariluz, Aires Domingues (PPS), e do presidente do diretório municipal do PPS, Carlos Alberto Carvalho. Os crimes aconteceram no início do mês.
A sessão extraordinária da Câmara durou cerca de uma hora e foi acompanhada por aproximadamente 150 pessoas. Elas aplaudiram quando a licença foi aprovada. Cerca de 20 policiais militares estiveram presentes, mas não precisaram intervir.
O presidente da Câmara, Benedito Oscar dos Santos (PPB), assume a prefeitura hoje de manhã. Ele adiantou que vai dispensar os assessores contratados por Gonçalves no início do mandato. Não posso trabalhar com pessoas que não são da minha confiança, alegou. O padre havia noemeado noves pessoas de outros municípios para cargos de confiança. Este foi um dos motivos do rompimento dele com o PPS. A presidência da Câmara a partir de hoje fica com José Roberto de Souza (PFL).
Santos disse ainda que vai tomar conhecimento do que foi feito nas últimas semanas para decidir o quais providências podem ser executadas no município. Mariluz estava sem prefeito desde o dia 5, quando o ex-policial militar José Lucas Gomes foi preso e acusou Gonçalves de ser o mandante do duplo assassinato. Depois, disse que foi torturado para incriminar o prefeito. O padre, que afirma ser inocente, voltou à cidade no dia 9, mas teve que sair escoltado pela polícia porque quase foi linchado pelos moradores.
O deputado federal e advogado Osmar José Serraglio (PMDB) esteve presente à sessão da Câmara. Mestre em direito administrativo, ele disse que o caso é inusitado. Segundo o deputado, Gonçalves não poderia pedir afastamento para tratar de assuntos particulares porque a Constituição não permite isso. A brecha encontrada pelo prefeito foi na Lei Orgânica do Município, que prevê esta possibilidade.
O secretário de Ação Social da prefeitura, Elcio Farias, que também está envolvido no duplo assassinato, deve se apresentar hoje em Umuarama ou Cruzeiro do Oeste. Com a prisão de Farias, a polícia espera esclarecer o caso.
Farias acusa Gonçalves de ter ido ao seu encontro, em Ariquemes (RO), para suborná-lo e tentar convencê-lo a dizer que foi o mandante do crime. Segundo a polícia, há provas de que o padre viajou para Ariquemes e hospedou-se . Outro envolvido no crime, o chefe da Divisão de Obras da prefeitura, Alexandro do Nascimento, por sua vez, acusa Farias de ser o mandante e inocenta o prefeito. Nascimento se apresentou em Curitiba no dia 19 e agora está preso em Umuarama.


