Câmara analisa proposta de reajuste em maio
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sábado, 28 de abril de 2007
Gabriela Guerreiro<br> Folhapress 
Brasília - A Câmara dos Deputados deve colocar em votação nas próximas semanas o projeto que eleva dos atuais R$ 12.847 para R$ 16.512 os salários dos parlamentares. Por conta do feriado do Dia Internacional do Trabalho (1º de maio) na próxima terça-feira, a proposta deve ser avaliada pelo plenário somente na segunda semana de maio.
O reajuste de 28,05% poderá ser retroativo a fevereiro deste ano - uma vez que regimento da Casa Legislativa permite que o aumento seja retroativo ao início da legislatura (iniciada em 1º de fevereiro).
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que vai submeter ao plenário da Casa a decisão sobre a retroatividade - já que durante a votação os deputados podem definir que o novo valor salarial vigore somente depois de sua aprovação.
Dois projetos estão sendo analisados pelos parlamentares. O primeiro reajusta os subsídios dos parlamentares com base na correção inflacionária dos últimos quatro anos - e o segundo eleva os salários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do seu vice, José Alencar, e dos 37 ministros de Estado.
Lula recebe atualmente R$ 8.885 e passará a ter o salário de R$ 11.420 se o reajuste seguir a correção inflacionária. Já o salário de Alencar e dos demais ministros subiria dos atuais R$ 8.362 para R$ 10.748.
Os projetos também prevêem um mecanismo que autoriza novas correções salariais para os parlamentares, Lula e os ministros cada vez que os funcionários públicos federais receberem aumento. A expectativa dos deputados, no entanto, é que os projetos passem por mudanças durante a discussão no plenário da Câmara.
Se o aumento for retroativo e aprovado até junho, os deputados vão receber os R$ 16.512 referentes ao pagamento de maio, além de R$ 14.659 - diferença entre o atual salário dos deputados e a correção retroativa a fevereiro.
A despesa da Câmara com os salários dos parlamentares, calculada em R$ 102 milhões por ano, pode subir para R$ 130 milhões se o reajuste for aprovado.
O PSOL firmou posição contra o reajuste. O líder do partido na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ), disse que os parlamentares ''têm condições de exercer bem o mandato nas condições atuais''.
Favorável à decisão sobre o reajuste, o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) afirmou que a Câmara deve solucionar ''de uma vez por todas'' a questão do aumento salarial dos parlamentares. ''Isso deveria ter sido uma atribuição da Mesa Diretora da antiga legislatura para que o reajuste fosse incidir sobre os salários dos atuais parlamentares. Como deveria ter sido uma decisão passada, é correta a correção desde fevereiro. Mas temos que discutir o assunto'', afirmou.


