Câmara age e abre processo contra Chicão
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terça-feira, 12 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
A Câmara dos Deputados começou ontem o processo de cassação de mandato do deputado Chicão Brígido (PMDB-AC). O parlamentar será julgado por ter alugado seu mandato à suplente Adelaide Neri (PMDB-AC) e por ficar com parte dos salários dos funcionários de seu gabinete, pagos pela Câmara. Mas Chicão será poupado de expulsão do PMDB. O partido não tem tradição de sair expulsando parlamentar sem ampla defesa, alegou o líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA).
Em reunião, a Mesa Diretora aprovou a abertura de dois processos: um para cassação de Chicão Brígido por falta de decoro e outro para impedimento à suplente Adelaide Neri de assumir o mandato na vaga do deputado. Apesar da iniciativa rápida do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que levou à Mesa a proposta de cassação sumária, os líderes políticos da Casa admitem que o escândalo produzido pela conduta de Chicão Brígido prejudica a imagem da instituição. É mais um escândalo para desgastar a imagem do Legislativo, lamentou o presidente da CCJ, Henrique Alves (PMDB-RN).
Temer age também para evitar que sua imagem, como presidente da instituição, saia prejudicada. O presidente deveria ficar feliz por esse saneamento básico, ironizou o vice-lider do PPB, Gerson Peres (PA). É bom que se faça uma purificação da Casa. Como Chicão Brígido é réu confesso neste novo escândalo, sua cassação é praticamente certa. Ele já está cassado, afirmou o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). Os fatos evidenciados foram provados e não há necessidade de sindicância, justificou Michel Temer, ao anunciar a decisão da Mesa Diretora.
O presidente da CCJ acertou uma tramitação acelerada do processo, protocolado ontem mesmo. Henrique Alves vai aguardar o prazo de cinco sessões para a defesa escrita de Chicão Brígido, que vence na próxima terça-feira, para colocar o processo em votação na quarta. Pensamos num processo rápido porque ele é réu confesso, disse Alves.
Em nota enviada do Acre, a suplente Adelaide Neri acusou o líder peemedebista e o presidente da Câmara de terem conhecimento das atitudes de Chicão Brígido. Adelaide, de quem Chicão cobrou metade dos R$ 16 mil pagos durante a convocação extraordinária, quando estava licenciado, alega que o titular da vaga pressionou-a para que dividisse o salário de parlamentar com ele. Na nota, Adelaide diz que se queixou para Michel Temer e Geddel Lima. Temer afirmou que ouviu de Adelaide apenas a reclamação de que não conseguia contratar pessoal próprio para o gabinete. O líder do PMDB disse que recebeu dela apelo para que fosse mantida no mandato.
Desde que assumiu o comando da Câmara, Michel Temer está tendo que administrar uma série de escândalos envolvendo parlamentares. A preocupação de alguns líderes vem da certeza de que os deputados resistem o quanto podem a votar a favor de cassação de colegas. Acusado de extorquir bingueiros, o deputado Marquinho Chedid (PSD-SP) foi absolvido pelo plenário da Câmara. A cúpula da Câmara considera também muito difícil o plenário cassar o ex-líder do PTB Pedrinho Abrão (GO), acusado de tentar desviar verbas públicas.
Tramitando desde maio, os processos contra os deputados envolvidos no escândalo da venda de votos para aprovar a reeleição - o próprio Chicão Brígido e seus colegas do Acre Zila Bezerra e Osmir Lima, os dois do PFL - ainda estão na CCJ. Ninguém aposta que eles serão cassados. Não há contraditório para sustentar a condenação deles, disse um dos integrantes da CCJ. Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL acreano, safaram-se da cassação ao renunciar ao mandato.


