Câmara admite que presidente do PP pode ser processado
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segunda-feira, 07 de junho de 2004
Agência Estado 
Brasília - O presidente da Câmara, João Paulo (PT-SP), admitiu ontem abrir um processo contra o presidente nacional do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), caso a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pirataria traga, como prometeu, fatos novos envolvendo o parlamentar com o contrabandista Ari Natalino, preso em 2003 pela Polícia Federal (PF). O relatório será apresentado hoje pelo deputado Josias Quintal (PMDB-RJ).
Cunha assegurou que, se houver algo contra o parlamentar, será remetido à Corregedoria e à Comissão de Ética da Casa. ''Ninguém aqui vai colocar panos quentes por ter o acusado mandato ou não. Todo mundo será investigado e, se for culpado, será punido.'' Mas ele pôs em dúvida a autenticidade das fitas, publicadas meses atrás pela Rede Globo de Televisão e reproduzidas ontem pelo jornal ''Folha de S.Paulo'', com diálogos entre Corrêa e o contrabandista. ''Precisamos tomar cuidado para não julgar antes de haver comprovação'', enfatizou. Num dos diálogos telefônicos, Natalino fecha acordo com Corrêa, supostamente de R$ 200 mil mensais, pelos serviços como protetor político da quadrilha. ''Deputado, isso aqui vai ser por mês, todo mês para o sr. Acabou, morreu o assunto'', diz o contrabandista.
O parlamentar foi denunciado na Corregedoria em 2003, pela CPI do Roubo de Cargas, com a mesma acusação: envolvimento com a quadrilha de Natalino. O processo, porém, está parado desde março porque a Justiça não enviou as fitas com os diálogos. Os grampos, num total de 12, foram feitos com autorização judicial, em janeiro de 2003.
Natalino foi acusado pela CPI por sonegação de impostos, como sendo o maior contrabandista do País. Ele também seria o líder de um esquema de receptação de gasolina roubada e de falsificação de cigarros. As investigações teriam apontado a filha de Corrêa, Aline Lemos Corrêa de Oliveira, e o genro, José Antônio Neuwald, como cúmplices nos crimes da quadrilha.
Por meio de nota, Pedro Corrêa negou as acusações e disse que decorrem de ilações sem fundamento. ''Não tenho e nunca tive envolvimento com os fatos noticiados'', afirmou. Ele disse confiar que a CPI da Pirataria, à qual prestou esclarecimentos, não o acusará. ''Só vou me manifestar, se necessário, após a conclusão dos trabalhos.''
O suposto envolvimento de Correa pode frustrar os planos de revitalização política do partido. O PP desejava abrigar candidatos que tivessem dificuldades em encontrar espaço nas próprias siglas.


