A segunda e última votação do projeto de lei que revoga a obrigatoriedade de realização de um plebiscito em caso de perda do controle acionário da Sercomtel pelo município, foi adiada. Diante de mais de 250 funcionários da telefônica que lotaram as galerias da Câmara em protesto à proposta os autores da matéria solicitaram a retirada do projeto da pauta por tempo indeterminado.
A medida não agradou os funcionários da empresa, que prometem se revezar para acompanhar as sessões ordinárias. Por não ter determinado um prazo específico, o projeto pode ser colocado em discussão a qualquer momento. ''Vamos continuar mobilizados, fazer um revezamento e estaremos presentes em todas as sessões. É uma vergonha, querem ganhar a gente no cansaço mas não vamos deixar isso acontecer'', afirmou Luiz Carlos Flávio, que trabalha na Sercomtel há 20 anos. Ele acredita que a retirada do projeto foi estratégica. ''Se fosse apreciado hoje (ontem), não teriam os votos necessários. Passamos a manhã toda na Câmara conversando com vereadores que reavaliaram suas posições e que afirmaram que votarão contra a revogação do plebiscito. Eles (autores do projeto) perceberam que não iriam conseguir aprovar a matéria'', disse.
Segundo o vereador Renato Araújo (PP), autor do projeto, a retirara de pauta foi solicitada devido o ''desencontro'' de informações sobre os balanços da Sercomtel Celular. ''Em entrevistas (o presidente da empresa) João Rezende disse que a empresa estava saneada e agora remeteram o segundo balancete à Câmara acusando déficits anuais durante cinco anos consecutivos. A Câmara não pode ser jogada na cova dos leões. Quem tem responsabilidade é quem está dirigindo'', argumentou. ''Dentro dessa dubiedade de comportamento, não voto a matéria mais. Se amanhã alguém quiser que a matéria volte, não voltará com o meu voto'', garantiu.
Conforme a Folha apurou, dos onze vereadores que votaram pela derrubada da lei do plebiscito, três mudaram de opinião. Além dos peemedebistas Barros e Osvaldo Bergamin que deverão seguir a orientação da Executiva municipal, que é contra a matéria , a petista Maria Angela Santini afirmou que foi convencida pelos funcionários da empresa. ''Conversei hoje com um grande grupo de servidores da Sercomtel, que se prestou a um trabalho muito inteligente, trazendo informações. Não voto mais. Hoje sou contra'', assegurou. ''Estou obedecendo o meu partido que hoje é contra'', afirmou Bergamin. ''Estava desconfortável, não queria ir contra a vontade popular. Estava aguardando posicionamento estadual que não veio, um posicionamento estadual que também tem ações através da Copel, e temos que buscar caminhos e meio para provar que ela é produtiva, que pode existir. Não voto mais (a favor)'', justificou Barros. Para ser aprovado, o projeto precisa de dez votos.

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