Brasília - A Mesa da Câmara decidiu adiar a decisão sobre os pedidos de cassação de mandato dos deputados B. Sá (PSB-PI) e Domiciano Cabral (PSDB-PB) para agosto. O presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), admitiu que os processos poderiam voltar a ser analisados ainda neste mês, já que o Congresso não entrará em recesso e que não se trata de pedido de vistas, mas disse que ''a decisão foi analisar em agosto''.
B. Sá é acusado de participar de esquema semelhante ao da máfia dos sanguessugas. O deputado apresentou emenda ao Orçamento da União para a construção de uma barragem no sul do Piauí em troca de R$ 15 mil pagos pelas empreiteiras responsáveis pela obra.
Domiciano Cabral foi flagrado numa conversa em que também negocia a apresentação de emendas, mas no caso dele não ficou comprovado o pagamento de propina. Mesmo assim a Corregedoria entendeu que ''a promessa de fazê-lo'' pode ser considerada quebra de decoro.
Com a decisão da Mesa de postergar a decisão, os dois deputados ganharam tempo para decidir se renunciam ao mandato. A partir do momento em que a Mesa decide encaminhar os processos para o Conselho de Ética eles perdem essa prerrogativa.
Além de postergar os dois processos, a Mesa também decidiu não punir o deputado deputado Jorge Bittar (PT-RJ), que xingou o senador Delcídio Amaral (PT-MS), quando ele era presidente da CPI dos Correios. Bittar xingou o colega de partido na votação final do relatório da CPI.
A reunião da Mesa de ontem foi a primeira sem a presença dos deputados Nilton Capixaba (PTB-RO), João Caldas (PL-AL) e Eduardo Gomes (PSDB-TO). Eles foram substituídos pelos deputados Jorge Alberto (PMDB-SE) e Mario Heringer (PDT-MG) e Givaldo Carimbão (PSB-AL). Os três se afastaram por estarem envolvidos com a máfia dos sanguessugas.

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