Patrícia Zanin
De Londrina
A Câmara de Vereadores de Jataizinho (21 km a leste de Londrina) julgou procedentes as denúncias de irregularidades cometidas pelo prefeito cassado Luiz Sato (PFL), apresentadas ontem por uma comissão processante. Dos nove vereadores, seis votaram pelo acatamento das denúncias. Três não compareceram – Marcos Alexandre (PSDB), Wilson Fernandes (PFL) e Maurílio Martielho (PFL). Segundo o relator Eric Cordeiro (PDT), as conclusões serão encaminhadas para o MP, para a Justiça e para o Tribunal de Contas. ‘‘Com o resultado das investigações, poderíamos votar a cassação, mas ele já está com o mandato cassado’’, argumentou.
O Legislativo, porém, pretende ter uma ‘‘carta na manga’’, no caso de Sato conseguir voltar ao cargo por decisão judicial. ‘‘Se ele voltar, poderemos cassá-lo novamente, baseados nesse julgamento. Ele está num mato sem cachorro’’, argumentou Cordeiro. Segundo ele, cerca de 70 pessoas compareceram à Câmara para acompanhar a votação.
Entre as irregularidades descobertas estão o desvio de dinheiro para pagamento de IPVA para 140 carros, o que resultaria na saída de R$ 8 mil dos cofres públicos. O prefeito também teria feito um contrato de R$ 7 mil com um advogado de Curitiba para sua defesa pessoal e pôs na conta da prefeitura.
Além disso, o que também impressionou os vereadores foi o fato de o prefeito ter usado o Departamento de Saúde da prefeitura como pretexto para adquirir carne para churrasco, refrigerante, salame e até salmão. Das notas de empenho constam a compra de material de higiene e limpeza, com o respectivo número das notas fiscais. Mas, quando conferidas, as notas comprovam a compra de itens bem diferentes. De produtos alimentícios e bebidas a roupas. ‘‘É inadmissível’’, resumiu Cordeiro.
O relatório, de 128 páginas, inclui cópias de empenho, notas fiscais, além do depoimento de testemunhas. Sato não compareceu para apresentar sua defesa. No ano passado, ele foi condenado por improbidade. O processo comprovou fraudes em licitação e aplicação de recursos de duas obras – uma delas quando ele era vice-prefeito na gestão anterior. Sato está fora do cargo desde 22 de setembro, quando teve o mandato cassado pela Justiça.

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