Câmara absorve mudanças com discurso conciliador
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quinta-feira, 06 de abril de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A mudança no secretariado promovida pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) dominou boa parte da pauta morna de ontem na Câmara de Vereadores de Londrina. Apesar de alguns se dizerem surpresos com as alterações, nenhum dos parlamentares que tomaram a palavra para fazer algum comentário dentro e fora do Plenário deixou de mostrar um discurso pronto e cheio de adjetivos a quem sai no caso, o presidente da Sercomtel, João Rezende e a quem entra. Aqui, a referência vai para o ex-presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, novo presidente da telefônica, e para o ex-diretor de Marketing da Fixa, Francisco Moreno, dono da vaga deixada por Campos.
Ninguém quis relacionar as alterações à definição do quadro eleitoral do PT paranaense, sacudido com a desistência do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em tentar a reeleição ao Congresso. Depois de ter a relação estremecida com Rezende em farpas trocadas entre eles em uma rádio da cidade, Renato Araújo (PP) elogiou a escolha do economista para a chefia de Gabinete de Paulo Bernardo. ''Do ponto de vista político, é uma grande parceria que se estabelece em Brasília, um trunfo fabuloso para Londrina'', destacou. Pouco antes, porém, Araújo sugeriu que pretende encaminhar projeto de lei aos colegas propondo que a nomeação de cargos como o da presidência da Sercomtel e de outras autarquias seja submetida a sabatina da Câmara, em vez de indicação do Executivo.
O petista Gláudio Renato de Lima, pertencente ao mesmo grupo político de Bernardo e Rezende, evocou ''competência'' e ''digno de confiança absoluta'' por parte do prefeito para comentar as nomeações de Campos e Moreno. ''São mudanças naturais; não creio que o Nedson chamaria alguém de fora do governo para isso'', ponderou.
O líder do prefeito no Legislativo, Lourival Germano, disse que com a nova presidência na empresa de telefonia ''é hora de injetar muito dinheiro na Sercomtel, ano a ano, para recuperar o que se perdeu ao longo desses anos todos''. Já o presidente da Casa, Orlando Bonilha (PL), admitiu ter sido pego de surpresa pelo anúncio das alterações no secretariado. ''Pelo menos de imediato não esperava isso, mas sei que Gabriel é uma pessoa competente, e, com o arquivamento do projeto de derrubaria o plebiscito (necessário para a venda da Sercomtel), tenho certeza que ele terá tranquilidade para trabalhar'', avaliou.


