Câmara absolve outro envolvido com mensalão
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quarta-feira, 03 de maio de 2006
João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - De novo com baixa presença, o que sempre beneficia o acusado, a Câmara absolveu ontem o deputado Josias Gomes de Souza (PT-BA). Ele confessou ter recebido pessoalmente R$ 100 mil das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, sendo uma parcela das mãos do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e outra na agência do Banco Rural do Brasília Shopping. O dinheiro, segundo ele, foi utilizado para o pagamento de dívidas da campanha de 2002.
Josias obteve 190 votos pela salvação de seu mandato; pela cassação, votaram 228. Essa maioria não foi suficiente para a perda de mandato, porque para a cassação são necessários 257 votos (a maioria mais um). Houve ainda 19 abstenções, 5 votos em branco e um nulo. Votaram 443 dos 513 deputados. Portanto, faltaram 70.
Curioso é que, de todos os acusados por envolvimento com o mensalão, Josias foi o único que entregou ao banco a carteira de deputado, para comprovar que era ele mesmo quem retiraria o dinheiro. Ele transformou esse detalhe em peça de sua defesa. ''Eu próprio fui ao Banco Rural. Jamais poderia imaginar que era dinheiro de origem ilícita. Entregar a carteira de parlamentar seria um procedimento de quem recebe importância ilícita?'', perguntou Josias ao plenário, pouco interessado em ouvi-lo naquele momento. Havia pouco mais de 200 deputados presentes quando o parlamentar fez a sua defesa.
Josias foi o décimo dos 19 parlamentares acusados de envolvimento com o mensalão a ser absolvido pelo plenário da Câmara. Antes dele livraram-se da degola João Magno, João Paulo Cunha (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Romeu Queiroz (PTB-MG), Sandro Mabel (PL-GO) e Wanderval Santos (PL-SP).
Somente três foram cassados: Roberto Jefferson (PTB-SP), que denunciou o mensalão; o ex-ministro José Dirceu (PT-SP), apontado como o responsável pelo esquema; e o presidente do PP, Pedro Correa (PE). Renunciaram para fugir do processo de cassação os ex-deputados Valdemar Costa Neto (PL-SP), Carlos Rodrigues (PL-RJ), José Borba (PMDB-PR) e Paulo Rocha (PT-PA). Falta ainda o julgamento de José Janene (PP-PR) e Vadão Gomes (PP-SP).
Ética - O Conselho de Ética da Câmara rejeitou ontem o relatório de Moroni Torgan (PFL-CE), que pedia a cassação do mandato de Vadão Gomes. O parecer foi rejeitado por 8 votos a 5. Também houve um voto em branco. No relatório, Torgan considerou que as provas apresentadas por Vadão em sua defesa são frágeis e constatou que o acusado ''aceitou vantagem indevida'' o que feriu o decoro parlamentar.
''A Câmara dos Deputados tem o dever de excluí-lo de seu corpo. Tal atribuição é inafastável'', disse o relator. Em sua defesa, Vadão disse que não estava em São Paulo nas datas em que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza afirmou ter entregue pessoalmente R$ 3,7 milhões para ele.


