SÃO PAULO - A Câmara Municipal de São Paulo criou ontem uma comissão de sindicância interna para investigar a lista de funcionários públicos municipais comissionados da Câmara. Há suspeitas de que muitos eram fantasmas e recebiam salário sem aparecer na Câmara. A comissão será presidida pelo vereador Milton Leite (PMDB) e integrada por Henrique Pacheco (PT) e Emílio Meneghini (PPB). Ela terá 30 dias de prazo para apresentar as primeiras conclusões e deve começar a trabalhar na segunda-feira.
O presidente da Câmara, Nelo Rodolfo (PPB), avisou o procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Marrey, sobre a criação da comissão. O objetivo de Rodolfo foi evitar a ampliação do foco de atrito com o Ministério Público, que ele mesmo criou ao avisar que não permitirá a entrada de promotores na Câmara para investigar o caso. O vereador considera os inquéritos abertos por ordem de Marrey uma intromissão do Ministério Público em assuntos da Câmara.
Só na segunda-feira a comissão vai definir um cronograma para as investigações. Pelo menos no início, elas deverão se concentrar em uma lista de 42 funcionários da Prefeitura, que estavam comissionados no gabinete da presidência da Câmara no ano passado, quando o presidente era o vereador Brasil Vita (PPB). A lista inclui o secretário-geral do PT, Cândido Vaccarezza, funcionário concursado da Secretaria Municipal da Saúde. Todos foram devolvidos pela Câmara a seus postos de origem na administração municipal, nesta semana.
Dos 42 funcionários que estavam comissionados no gabinete de Vita, 23 são ligados à Secretaria de Governo Municipal. Anteontem o secretário de Governo, Edevaldo Alves da Silva, mandou todas as secretarias conferirem se os funcionários devolvidos pela Câmara registraram presença nos postos originais de trabalho na Prefeitura. Essa providência burocrática foi a única medida tomada pela administração municipal até agora diante do caso.
A Prefeitura tem procurado manter distância das investigações, atribuindo exclusivamente a Brasil Vita - que está viajando - a responsabilidade pela escolha e pelo controle da frequência dos servidores comissionados no gabinete da presidência da Câmara. Muitos deles são ligados a funcionários importantes na administração. Eduardo Martins Cersósimo, por exemplo, é filho do chefe de gabinete de Edevaldo Guilherme Cersósimo. Renato Tanzi Braguim é irmão do chefe de gabinete do prefeito Celso Pitta (PPB), Roberto Braguim.
Outro dos comissionados, Ernesto Paglia, é funcionário de carreira da prefeitura e trabalhava no gabinete do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB).

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