Câmara abre Comissão Processante contra vereadores denunciados pelo MP
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terça-feira, 17 de abril de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 

Com quinze votos favoráveis e quatro contrários, a Câmara Municipal de Londrina admitiu nessa terça-feira (17) a abertura de CP (Comissão Processante) contra os vereadores afastados Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB). A CP terá 90 dias para avaliar se os dois parlamentares cometeram quebra de decoro parlamentar. Eles são acusados pelo MP (Ministério Público) na Operação ZR-3 de serem líderes de um suposto esquema de cobrança de propina para aprovar mudanças de zoneamento para benefícios de particulares. Mesmo pressionados por manifestantes, os vereadores Guilherme Belinati (PP), Jamil Janene (PP), Péricles Deliberador (PSC) e o suplente Emanoel Gomes (PRB) tentaram evitar a investigação contra os dois parlamentares que se tornaram réus em ação criminal, acusados de corrupção passiva e de integrarem organização criminosa.
O MP também ouviu na manhã de terça, antes da votação, vereadores suspeitos de terem sido beneficiados com indicações de conhecidos a cargos na Prefeitura de Londrina. José Roque Neto (PR), João Martins (PSL), Jairo Tamura (PR) e Emanoel Gomes. Todos negaram as acusações.
Com galerias tomadas por manifestantes com faixas e cartazes favoráveis e contrários à abertura da CP, o presidente da Câmara, Ailton Nantes (PP) iniciou a sessão convocando o suplente de Filipe Barros (PSL), Emanoel Gomes. Barros ficou impedido de votar por ser o autor da representação protocolada na Casa após deflagração da ZR-3.
Depois da leitura do texto da denúncia, Takahashi e Alves tiveram 15 minutos cada para evitar a abertura da CP. Ambos negaram as acusações do MP e alegaram falta de provas. Takahashi gastou apenas nove minutos em sua defesa e classificou de "perseguição política". Já o petebista usou todo o tempo e ganhou alguns minutos, após várias interrupções de manifestantes. Alves também trouxe vídeos de depoimentos de outros réus da ZR-3 que teriam negado a existência do suposto esquema.
COMPOSIÇÃO
Os votos foram computados no painel eletrônico, sem necessidade de anúncio nominal. Para abertura da CP eram necessários ao menos 13 votos. Depois de aberta a investigação foram sorteados os membros da comissão. José Roque Neto será o presidente, João Martins, o relator e Vilson Bittencourt (PSB) compõe como membro.
Roque Neto informou que o grupo terá cinco dias para organizar o cronograma dos trabalhos com apoio da procuradoria jurídica da Casa. "Vamos poder investigar e convocar testemunhas. Nosso trabalho será isento, com transparência para ao final apresentar a sociedade e à Câmara todo trabalho se há culpa ou não, mas com toda a tranquilidade", ponderou.
Para Bittencourt, a Casa agiu com prudência ao admitir a abertura da CP. "Esse momento é importante porque esses vereadores terão três meses para tentar provar se são ou não inocentes." Daniele Ziober (sem partido) também considerou importante a abertura. "Se existe alguma suspeita, deve ser feita a investigação para poder ouvir todos os lados", avaliou.
Já o líder do prefeito Marcelo Belinati (PP) no Legislativo, Péricles Deliberador (PSC), considerou precipitada a investigação na Casa. "Se o Ministério Público pediu o afastamento deles por 180 dias, eu achei prudente esperar este período."
Essa é a quinta CP aberta na história da Câmara de Londrina contra vereadores. Emerson Petriv (PR), o Boca Aberta, em 2017 e Orlando Bonilha (PR) em 2008 foram cassados ao final do processo. Já Paulo Sergio Ferreira (MDB) em 1980 e Rodrigo Gouvea (PTC) em 2010 foram inocentados no relatório final e tiveram os mandatos e direitos políticos preservados.


