''Calúnias'' tiram a calma de Ciro
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quinta-feira, 08 de agosto de 2002
Luciana Nunes Leal<BR>Agência Estado 
Rio de Janeiro - O candidato da Frente Trabalhista (PPS, PTB e PDT) à Presidência da República, Ciro Gomes, disse ontem, durante discurso na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, que tenta se controlar para manter a serenidade e o equilíbrio diante das ''calúnias'' dos adversários. ''Tenho rezado, pedido a Deus para me iluminar. Porque quero confessar aqui que a minha natureza é de responder assim, na testa'', afirmou. Menos de uma hora depois, o candidato irritou-se e xingou os fotógrafos que registravam sua imagem enxugando o suor com um lenço. ''Não posso fazer nada, por causa desse bando de babaca'', disse Ciro a um assessor, diante dos fotógrafos.
Ao mencionar a tentativa de manter a calma, o candidato havia dito: ''Tenho ouvido a voz e a inteligência do povo brasileiro. Tenho que me preparar para ser o presidente do Brasil. Portanto, tenho que me manter com serenidade e equilíbrio, o que não confundam esses senhores com qualquer tipo de vacilação.''
Ciro Gomes passou quatro horas em campanha nos municípios de Duque de Caxias e São Gonçalo, no Grande Rio. Em dois discursos, disse estar sendo caluniado, agredido e insultado. Cobrou do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, uma resposta para a pergunta feita no debate da TV Bandeirantes, no último domingo, sobre o destino do dinheiro da venda das estatais. No confronto entre os presidenciáveis, Serra não respondeu ao questionamento de Ciro.
O candidato do PPS acusou o governo de ser ''complacente com a corrupção'' e prometeu ''tomar a presidência dos banqueiros''.
''Privatizaram bilhões do patrimônio público, aumentaram os impostos, deixaram o funcionalismo público oito anos sem reajuste, mil escândalos, tudo varrido para baixo do tapete. E não querem responder a uma simples pergunta: para onde foi o dinheiro do povo brasileiro ao longo desses últimos oito anos? Ao invés de responder essa simples pergunta preferem a calúnia, a agressão, o insulto, a mentira'', discursou Ciro, em Caxias, depois de percorrer o centro, primeiro, em cima de um caminhão e, depois, andando nas ruas.
De Caxias, o candidato seguiu para São Gonçalo, onde falou para cerca de 500 pessoas reunidas em um clube. Com uma linguagem popular, Ciro fugiu de temas de difícil compreensão da política econômica. ''É egoísmo dos governantes que só falam em dólar, juros, política industrial'', discursou. O candidato apresentou-se como filho de funcionários públicos e reafirmou que foi ''educado na escola pública'', apesar da comprovação de que, na cidade de Sobral, onde morou, estudou em duas escolas particulares, o Colégio Sobralense e o Colégio Marista Cearense.


