Calheiros tenta evitar aprovação da PEC da Reeleição
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segunda-feira, 17 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília - Candidato à sucessão do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), comandou ontem a ofensiva final para tentar impedir que os deputados aprovem a proposta de emenda constitucional (PEC) que permite a reeleição nos postos de comando do Legislativo. Como a proposta deverá ser votada amanhã no plenário da Câmara, Calheiros enviou uma carta a cada um dos 513 deputados, protestando contra o ''casuísmo'' da mudança na Constituição.
Líderes petistas favoráveis e contrários à reeleição advertem, porém, que a ofensiva pode fracassar porque a PEC tem boas chances de passar na Câmara.
Calheiros apelou para uma operação de emergência porque sabe que não será tarefa fácil reunir 308 votos favoráveis à reeleição na Câmara. ''Se essa PEC entrar em votação, vou votar contra e fazer um esforço para que toda a bancada me acompanhe porque esta foi a decisão do Congresso Nacional do PPS, que firmou posição contrária'', diz o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE). Também há resistências em outros partidos da base aliada, como o PSB, o PL e até o PT, que fará uma reunião de bancada para tratar do assunto ainda hoje.
Ainda assim, os articuladores da reeleição do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), apostam que terão sucesso da PEC no plenário, onde é negociada em torno da figura do petista. ''O PT não tem posição e isto deve ser tratado de maneira aberta na bancada, com cada um votando como quiser'', defendeu ontem o presidente nacional do PT, José Genoino.
Os partidários de Cunha avisam que a estratégia é não impor o voto favorável a ele na bancada para não acirrar os ânimos entre os que não aceitam o casuísmo de mudar a Constituição para reelegê-lo, como os deputados Chico Alencar (PT-RJ), Ivan Valente (PT-SP) e Paulo Bernardo (PT-MG). ''Não haverá fechamento de questão na bancada petista, mas teremos uns 70 votos em favor da reeleição'', prevê Bernardo.
A despeito da ofensiva de Calheiros, para quem ''toda eleição fora de época transmite a impressão de que o mandato será ampliado para favorecer determinado cenário e perpetuar o poder nas mãos de poucos'', os petistas contam com pelo menos 60 votos de peemedebistas. Fechado mesmo contra a proposta, só o PSDB. O PFL, que até a semana passada era majoritariamente favorável à reeleição, não tem sequer prevista uma reunião de bancada para discutir o assunto. Mesmo que a PEC seja aprovada, Calheiros argumenta que os adversários terão vencido apenas uma etapa da batalha. ''Acho difícil que passe na Câmara e, no Senado, será impossível'', disse o líder, ontem.


