Brasília O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), disse ontem que a decisão dos dissidentes do partido em João Pessoa prejudica o PMDB e não ajuda no entendimento com o governo Lula. Ele foi categórico ao assegurar que a divisão do PMDB não interessa a ninguém. ''Se o PMDB continuar dividido, vai virar frangalhos e não será bom para nenhuma corrente'', alertou.
O líder previu que, mantido o racha, o governo vai acabar arcando com o ônus da divisão. Mas, nesse caso, não especificou o tipo de tratamento que será exigido do Palácio do Planalto. Ele considerou natural o lançamento, no encontro, da candidatura a líder do senador Pedro Simon (PMDB-RS), alegando que já conhecia o desejo do parlamentar gaúcho de substitui-lo no cargo. ''Há três meses, conversamos sobre isso'', informou.
Para o líder, Simon é um nome respeitável, mas terá de disputar com outros candidatos que disputam o cargo. ''Isso é uma agonia para amanhã'', alegou. ''A (agonia) de hoje é a de respeitar o direito da bancada de indicar o candidato à presidência do Senado''.
Na quinta-feira, Calheiros conseguiu reunir 12 dos 20 senadores do partido, mas teve de adiar a indicação à Presidência do Senado, por causa da pressão do Planalto sobre os peemedebistas.
O líder se considera o candidato favorito na bancada e diz que ainda busca a garantia de que o governo será isento e apoiará o nome a ser escolhido ''livremente'' no dia 31 de janeiro, véspera da posse do novo Congresso. Sem apoio do governo, o indicado pelo PMDB perderia no plenário.
''Não adianta sair candidato sem que o governo decida ser isento. Não podemos perder essa negociação na adulação ao governo, tampouco precipitar o processo. Seria um gesto inócuo escolher um candidato ontem (quinta-feira) e deixá-lo sangrando, sem segurança eleitoral'', afirmou Calheiros, justificando o adiamento da decisão da bancada.
A preferência do Planalto por Sarney é clara. O ex-presidente da República (1985-90) e ex-presidente do Senado (1095-97) apoiou a candidatura de Lula a presidente desde o primeiro turno, contra a orientação da cúpula peemedebista.

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