CRISE POLÍTICA
Calheiros se isola e FHC quer reaproximar PMDB
Elza Fiúza/Agência BrasilFHC cumprimenta o ministro da Defesa, Élcio Álvares, ao lado do vice-presidente Marco Maciel, no Palácio do PlanaltoA ausência do ministro da Justiça, Renan Calheiros, e de lideranças do PMDB, na solenidade de criação do Ministério da Defesa, pasta do ex-senador Élcio Álvares, revela que o presidente Fernando Henrique Cardoso enfrenta resistências à sua determinação de unificar a base aliada. Ontem, aos colegas de partido, Renan Calheiros reclamava do tratamento que vem recebendo e admitia a possibilidade de deixar o cargo.
Depois da cerimônia, FHC esteve durante cerca de uma hora com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha - único da cúpula do PMDB a comparecer à solenidade. Fernando Henrique afirma não querer o rompimento com o PMDB. Os tucanos, porém, desafiam os colegas da base aliada. ‘‘O primeiro que sair da linha vai ter de arcar com as consequências’’, avisou o ministro das Comunicações e articulador político, Pimenta da Veiga. Ele acrescentou ainda que o presidente ‘‘não aceitará competição pública entre os aliados’’ e exigirá solidariedade aos atos do governo. ‘‘É preciso que todos os partidos aliados saibam ler essas manifestações do presidente’’.
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse que na reunião de anteontem à noite, o presidente deixou claro que quem não concordasse com as orientações deveria deixar o governo. Nesta reunião, realizada no Palácio do Planalto com 11 ministros - da qual Calheiros também não participou - FHC pediu união da base.

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