Calheiros recua e admite convocação extra do Congresso
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terça-feira, 04 de outubro de 2005
Agência Estado 
Brasília - O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), recuou ontem da posição de evitar que as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) entrem no ano eleitoral de 2006 e admitiu até a convocação extraordinária do Legislativo, em janeiro, para concluir as investigações. Na berlinda por ter defendido a conclusão das investigações das CPIs dos Correios, do ''Mensalão'' e dos Bingos, Calheiros reforçou o apoio técnico com a contratação, pelo Senado, sem licitação, de duas empresas de auditoria, além da aquisição de um programa de computador, usado pela Polícia Federal (PF) para fazer cruzamento de informações.
A estrutura técnica será reforçada, ainda, com mais cinco consultores da Casa, que ficarão à disposição das CPIs. O espaço físico destinado às comissões também será ampliado. Todas essas providências, acertadas em reunião com os presidentes e relatores das CPIs, visam acelerar os trabalhos e evitar o fracasso das investigações e o desgaste da imagem do Congresso. ''Prefiro responder por excesso de investigação a (responder) por omissão. O que for preciso fazer para acelerar os trabalhos vamos fazer'', afirmou o presidente do Congresso.
Ao mesmo tempo em que ofereceu um novo suporte e recursos orçamentários do Senado, Calheiros procurou eximir-se da responsabilidade pela contratação das empresas de auditoria, que devem começar a trabalhar na próxima semana. Os integrantes da CPI dos Correios discutem com três: Bolsinhas, KPMG e Price Water House. A indicação será feita pela CPI e caberá ao Senado cumprir as exigências legais para dispensar a licitação diante da urgência e ainda pagar as despesas. ''Senão, eu vou assumir o ônus e risco pela contratação e pelos resultados técnicos ou políticos da investigação'', completou Calheiros.
Antes da reunião com os presidentes das CPIs e relatores, o clima não era favorável a Calheiros. Os rumores de que o presidente do Senado atuaria para evitar que a CPI se estendesse até 2006 e servisse de palanque eleitoral para a oposição agitou os parlamentares.


