Arquivo FolhaAlvoRenan Calheiros: ex-discípulo de Collor está chateado com o ‘‘massacre’’ sofrido nas últimas semanasO ministro da Justiça, Renan Calheiros, embarca hoje para Alagoas determinado a responder às críticas recebidas desde que assumiu a pasta, semana passada. Na terra natal, Renan inicia uma ofensiva para limpar sua imagem e desfazer a marca de amigo de suspeitos de ligação com crimes como contrabando de armas e assassinatos, investigados pela Polícia Federal. Ao lado do diretor da PF, Vicente Chelotti, Renan vai anunciar o pedido de quebra do sigilo fiscal e bancário dos supostos envolvidos na máfia do crime organizado de Alagoas.
O pedido à Justiça será anunciado no Palácio dos Martírios, onde Renan Calheiros almoça com o governador Manuel Gomes de Barros (PTB) e o presidente nacional do PSDB, o senador alagoano Teotônio Vilela. Nos dias que sucederam à sua posse, Renan reclamou muito com seus amigos do que chamou de ‘‘massacre’’ sobre sua pessoa. O ministro está muito aborrecido com as relações que foram feitas em Brasília de sua nova função com as antigas amizades alagoanas, acusadas de participar do crime organizado, e afirmou que será duro nas investigações. ‘‘Criminoso não tem amigo’’, resumiu ele.
A Polícia Federal vem investigando a máfia alagoana há quatro meses e o trabalho já rendeu a apreensão de armas contrabandeadas, descoberta de ossadas e mais de 40 prisões, a maioria de policiais militares. Entre os acusados, dois deputados e velhos amigos de Renan Calheiros: João Beltrão e Antônio Albuquerque, ex-presidente da Assembléia Legislativa. O próprio governador, com quem Renan almoça hoje retribuindo a presença em sua posse na terça-feira passada, está envolvido em uma denúncia. Segundo a família da vítima, Gomes de Barros seria o mandante do assassinato do bancário Dimas Holanda, fuzilado com 11 tiros há um ano.
O ministro anda chateado também com as lembranças de sua passagem pelo governo Fernando Collor e suas ligações com a turma do presidente afastado do Palácio do Planalto. Renan Calheiros era um dos políticos mais próximos de Collor e foi um dos principais articulares de seu projeto desde que o então governador de Alagoas decidiu que seria candidato à Presidência da República. Renan rompeu com Collor oito meses depois da posse, brigado com o presidente que o preteriu na disputa pelo governo alagoano.
Outra decisão de Renan Calheiros para ajudar a limpar sua imagem já foi antecipada no fim de semana. O ministro garantiu ontem que o seu PMDB não vai dar legenda para o tenente-coronel da Polícia Militar, Manoel Francisco Cavalcanti, na campanha às eleições de outubro. Cavalcanti é filiado ao PMDB e candidato a deputado federal. Mas convive com um problema: está preso e faz campanha do lado de dentro da cadeia. ‘‘Se ele quiser ser candidato, que procure outro partido’’, avisou o ministro. Militares têm condições especiais pela legislação eleitoral, o que viabilizaria a mudança de partido para que Cavalcanti continue seu projeto de se eleger deputado.
De volta a Brasília, o ministro da Justiça vai procurar o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, para saber como anda o Programa de Proteção às Testemunhas. Uma iniciativa que pretende direcionar para as investigações em Alagoas, se for necessário. O programa de proteção às testemunhas recebeu a forma de projeto de lei no Congresso onde tramita há dois anos, mas Gregori se antecipou e está fechando convênios com governos estaduais e organizações não-governamentais em alguns Estados.

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