Calheiros pode deixar governo
Agência Estado
O ministro da Justiça, Renan Calheiros (PMDB), participará da reunião que o presidente FHC terá na próxima segunda-feira, às 17h30, no Planalto, com os ministros que não estiveram presentes ao encontro da última quarta-feira - Calheiros não foi, alegando mal-estar repentino. Mas fontes de Brasília indicam que Calheiros pode perder o cargo nos próximos dias. A informação confirmando a presença do ministro no encontro com FHC foi dada pelo porta-voz do presidente, Georges LamaziSre.
No encontro de quarta-feira, FHC foi duro com os ministros, por causa das brigas entre os aliados ao governo em torno da escolha do novo diretor-geral da Polícia Federal, e advertiu-os de que não são ministros dos seus respectivos partidos e sim do governo. Calheiros está no meio do tiroteio, por ter sido contrariado na indicação. As declarações feitas no início da noite de ontem pelo Planalto, assegurando a permanência de Calheiros no cargo - atendendo pedido que o deputado Michel Temer fez ao presidente da República - devem ser interpretadas como mera formalidade, segundo fontes de Brasília.
Calheiros começou a perder o cargo - diz uma fonte - não somente porque seus correlegionários desafiaram a autoridade presidencial, mas sobretudo por ter colidido politicamente com o general Alberto Cardoso. Entre o ex-ministro e agora comandante do Exército, general Gluber Vieira, que se solidarizou com o general Cardoso, e o titular da Justiça, FHC obviamente ficou com a posição do Exército, observou uma alta fonte oficial.
Segundo o porta-voz LamaziSre, da reunião com Fernando Henrique participarão ainda os ministros Rodolfo Tourinho (Minas e Energia), Bresser Pereira (Ciência e Tecnologia), Pimenta da Veiga (Comunicações), Francisco Dornelles (Trabalho), Ovídio de Ângelis (Políticas Regionais), Andrea Matarazzo (secretário de Comunicação da Presidência), Eduardo Graeff (secretário de Relações Institucionais) e os assessores presidenciais Moreira Franco e Vilmar Faria.
O porta-voz disse que será uma uma reunião de coordenação do governo com o mesmo objetivo da de quarta-feira: procurar mais unidade na ação governamental. Segundo fontes de Brasília, ninguém deve esperar uma reforma ministerial clássica, das que alteram completamente a fisionomia do governo.





