O delegado da Polícia Federal Nei Cunha desembarcou ontem em Maceió para participar das investigações sobre o envolvimento de políticos e empresários no crime organizado. Ele foi enviado pelo ministro da Justiça, Renan Calheiros. Cunha não quis adiantar como será seu trabalho. Disse apenas que vai passar dois dias em Maceió e encaminhar um relatório à Superintendência Nacional da Polícia Federal.
Ontem à tarde, a CPI da Assembléia Legislativa que investiga o envolvimento de políticos e empresários com o crime organizado ouviu o secretário de Segurança Pública de Alagoas, delegado João Mendes. Mendes afirmou que a falta de estrutura do aparato policial prejudica a elucidação dos crimes de pistolagem praticados em Alagoas. Segundo ele, a Secretaria de Segurança recebe por mês R$ 60 mil de verba de custeio. O contingente de policiais é insuficiente, a polícia científica está desaparelhada, o sistema de rádio não funciona e a frota de veículos está sucateada. ‘‘Temos hoje no nosso quadro de pessoal 1.200 policiais e precisariamos de seis mil’’, afirmou Mendes.
Os deputados da CPI questionaram o secretário sobre os mais de 30 crimes até agora não elucidados. O secretário pediu aos deputados tempo para analisar caso a caso e dar maiores informações sobre o andamento dos inquéritos. Segundo Mendes, de janeiro para cá foram abertos só na Delegacia de Roubos e Furtos de Veiculos 24 inquéritos envolvendo policiais civis e militares, e 18 inquéritos em outras delegacias.

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