A postura da oposição em relação às declarações feitas pelo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), foi discutida na manhã de ontem pelos deputados do PFL e PSDB. Eles decidiram ocuparir a tribuna para atacar a possível operação abafa de Severino.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou evitar o assunto, mas afirmou que declarações ''subjetivas'' não ajudam as investigações. ''Qualquer coisa que o presidente do Congresso fizer julgando ou pré-julgando com declarações subjetivas atrapalha as investigações'', afirmou. ''Do ponto de vista do Congresso Nacional e do Senado, nós vamos fazer tudo, absolutamente tudo para que haja a investigação, para que ela se aprofunde, para que haja uma punição exemplar. Aqui no Senado ninguém ouviu falar em pizza e não vai ouvir falar em pizza'', acrescentou.
O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse, antes da reunião, discordar da posição do presidente da Câmara. Severino havia dito que apenas a Mesa Diretora da Câmara, presidida por ele, ou partidos políticos poderiam enviar representações contra parlamentares diretamente ao Conselho de Ética.
''Evidentemente a Mesa da Câmara não é só o Severino. Acho que houve precipitação porque, enquanto não se conhece o documento, não se tem como dizer que ele ainda não seja suficiente para encaminhamento, a não ser que se parta do pressuposto de que nada que saia da CPI possa ir ao Conselho de Ética. Se essa é a regra, eu discordo'', afirmou. E continuou: ''Ai do Congresso Nacional se não mostrar para a sociedade que não vai cortar na própria carne''. (Folhapress)

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