O ministro da Justiça, Renan Calheiros, prometeu ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso agilidade nas investigações do grampo telefônico no BNDES e da suposta conta bancária da cúpula tucana nas Ilhas Cayman. O objetivo da aceleração do procedimento é evitar o desgaste político do governo.
A Agência Folha descobriu ontem que a avaliação do Ministério de Justiça é que a apuração dos casos está começando do zero, já que as investigações comandadas até a semana passada pelo general Alberto Cardoso, ministro-chefe da Casa Militar da Presidência, não apresentaram avanços. ‘‘Vamos dar todo o apoio necessário para que a Polícia Federal aprofunde as investigações e não permita o entendimento de que as vítimas são os suspeitos’’, afirmou Renan Calheiros. Ele se reuniu com Fernando Henrique pela manhã no Palácio do Planalto.
O ministro da Justiça também criticou a possibilidade de instalação de CPI no Congresso sobre o episódio, como defendem os partidos de oposição.
De acordo com Calheiros, a Polícia Federal recebeu da Casa Militar os bilhetes da tentativa de chantagem, as cópias de supostos documentos -papéis sem autenticação- e as fitas com as conversas ‘‘grampeadas’’. O ministro se disse contrário à criação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso. Segundo ele, o problema não é político nem de Estado, e sim policial.
‘‘O desfecho de uma CPI é remeter o relatório ao Ministério Público. Para que CPI se o Ministério Público já está investigando?’’, indagou Calheiros. O ministro defendeu rapidez no trabalho da PF, desde que isso não atrapalhe a apuração eficiente dos fatos. ‘‘Os inquéritos devem ser concluídos o mais rápido possível. A Polícia Federal tem total liberdade para determinar os prazos. Não sabemos qual dos dois inquéritos (do grampo ou da conta bancária) terminará primeiro’’, informou o ministro da Justiça ontem.

mockup