Aprovar a reforma da Previdência até abril do ano que vem é um desejo do governo que esbarra na realidade do calendário eleitoral. Embora o Palácio do Planalto proclame urgência e a base parlamentar jure fidelidade, ninguém no Congresso aposta uma ficha na data marcada pelo ministro Antônio Kandir. ‘‘Todo nosso esforço será um tiro n‘água’’, conforma-se um dos líderes governistas responsáveis pela aprovação do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
O relógio das reformas anda no sentido oposto ao relógio das eleições parlamentares do ano que vem. Quanto mais próximo o pleito, mas difícil aprovar medidas contrárias a interesses corporativos muito fortes no Congresso. No caso da Previdência, há ainda o agravante de que a reforma não foi compreendida como um fato positivo pela maioria da opinião pública.
Outro problema: ela ainda não passou sequer pelos dois turnos obrigatórios no Senado e já esbarrou no caso específico dos deputados e senadores clientes do Instituto de Previdência do Congresso (IPC). É politicamente muito difícil cortar privilégios do cidadão comum sem mexer na caixinha dos políticos.
Superada a etapa do Senado, normalmente mais dócil ao governo, o abacaxi da Previdência chegará à Câmara menos de um ano antes das eleições gerais. Para os deputados, a campanha já começou e estará a todo vapor quando o assunto chegar ao plenário. O mais provável é que a reforma vire tema de palanques do que objeto de votações irretratáveis. É mais prudente apostar que a reforma dormirá nas gavetas do Congresso até outubro do ano que vem.

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