Calendário eleitoral acelera obras em 2010
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domingo, 24 de janeiro de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Para o secretário de Estado de Obras Públicas, Júlio Araújo Filho, 2010 começou antes do tempo, ainda em 2009 quando a equipe da secretaria planejou as construções e reformas que serão realizadas este ano. Araújo Filho trabalha com um cronograma apertado para garantir que obras de importância para a administração estadual sejam concluídas e inauguradas antes de julho, quando a legislação eleitoral proíbe atos públicos desse tipo com a participação de candidatos.
Apesar das limitações, o ano promete ser de grandes investimentos, uma vez que se trata do úlimo da atual gestão. O governo estadual quer concluir obras de destaque, como a reforma do Palácio Iguaçu e a construção de duas penitenciárias no interior do Estado, além de entregar milhares de pequenas edificações em diversos municípios paranaenses. Serão mais de 600 obras e R$ 310 milhões na Secretaria de Obras Públicas (SEOP).
O estado também deve investir mais R$ 1 bilhão em obras da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDU). As obras serão realizadas nos municípios com recursos financiados ou a fundo perdido sob a coordenação do secretário Luis Forte Neto. Entre os destaques, estão R$ 100 milhões destinados a recuperação de mil quilômetros de vias urbanas.
A tendência é que prefeituras, principalmente as das maiores cidades, também realizem muitas obras em 2010. Em Curitiba, a previsão é de R$ 53 milhões em licitações previstas para o ano. Os principais investimentos serão em obras de estrutura viária. O prefeito Beto Richa também promete começar a construção do Clube da Gente da CIC um espaço no qual haverão piscinas aquecidas para aulas de natação e hidroginástica e a reforma e ampliação do Mercado Municipal. Estão no cronograma da prefeitura de Curitiba a reforma dos 47 Faróis do Saber e de oito Centros Municipais de Educação Integral.
Além da visibilidade dessas obras em um ano de eleição, no governo do Estado a meta é também encerrar os oito anos de governo Roberto Requião com a casa em dia. Temos menos de cinco obras que poderão não ser concluídas até o fim do ano, adianta Araújo. O próprio Palácio Iguaçu deve ser entregue só em janeiro de 2011, para a posse do novo governador. As obras devem ser concluídas até outubro. Em janeiro ele deve ser entregue já mobiliado e decorado, explica. No total, serão R$ 23,5 milhões para a restauração do prédio que é de 1960. É a primeira vez em 50 anos que ele é submetido a reforma, diz.
Outra obra que será concluída até o início do próximo ano é o Colégio Estadual Desembargador Henrique Lenz César, que será construído na antiga sede do Clube Santa Mônica, em Praia de Leste, Pontal do Paraná (litoral do Estado). Vai ficar pronto para o próximo ano letivo, prevê. A obra receberá R$ 7 milhões em investimentos. O boom de investimentos, diz Araújo Filho, deverá garantir a criação de empregos no Estado. A cada R$ 1 milhão investidos são criados de 60 a 80 empregos diretos e para cada um desses são criados mais dois indiretos, adianta. E são empregos com carteira assinada porque nas licitações do governo há essa determinação para a empresa contratada, diz.
Investimentos baixos
Para o presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), Valter Fanini, o Estado tem uma baixa capacidade de gerenciar obras, o que prejudica a manutenção de um ritmo forte na condução dos investimentos. Historicamente os índices de investimento em infraestrutura no Paraná e no Brasil são ridículos, o que inclusive provocou um desmonte da estrutura técnica de coordenação de obras na administração pública, destaca.
O Estado não contrata técnicos há vários anos e quando contrata paga salários baixos, critica. Segundo Fanini, numa situação em que há escassez de profissionais o governo certamente terá dificuldades para manter seu corpo técnico.
Ele também destaca que historicamente os anos eleitorais registram investimentos maiores. É um fato político que não causa prejuízo a população, aponta. Mas seria melhor que se fortalecem as estruturas técnicas para que a infraestrutura dependesse menos de ações intempestivas em anos eleitorais e mais de uma conjuntura que permitisse investimentos consistentes, defende.
Por fim, Fanini afirma que projetos ainda não licitados terão dificuldades para ser concluídos ainda em 2010. O processo licitatório leva pelo menos seis meses para ser concluído, isso se tudo correr bem, diz.
Prazo apertado
Entre as obras do governo estadual que devem ser inauguradas ainda no primeiro semestre, uma deve ser entregue até março. O Hospital Wallace Thadeu de Mello e Silva, em Guaraqueçaba, cuja construção estava parada, teve as obras retomadas no fim de 2009. E deve ser inaugurado até 30 de março, bem a tempo do filho do homenageado, o governador Roberto Requião, poder participar da inauguração. Requião deve deixar o governo até 3 de abril caso seja candidato.
No fim de março também deverá ser concluída a reforma e ampliação do Hospital Zona Norte de Londrina. O Hospital Zona Sul tem inauguração prevista para fevereiro desse ano. Já a licitação da reforma e ampliação do Hospital do Trabalhador, em Curitiba, está em andamento. Vamos começar e terminar a obra em 2010, promete.
O governador Requião também já cobrou de Araújo pressa na construção do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), em Cruzeiro do Oeste e na conclusão da Penitenciária de Regime Semiaberto de Maringá. O CDR irá custar R$ 19 milhões e deve ser concluído em 2011. Em Maringá, o problema são as empreiteiras. A obra na penitenciária estava parada há oito anos. A empresa foi a falência, conta Araújo Filho.
Uma nova licitação foi feita, mas o governo Requião pediu garantias à empresa de que o empreendimento será entregue dentro do prazo para que o resultado da concorrência seja homologado. A meta é terminar o mandato com 20 mil vagas em penitenciárias. Atualmente o Estado soma pouco menos de 15 mil vagas.
Serviço público
A Sanepar, a Copel e a Compagás também devem ampliar seus investimentos em 2010. Segundo o diretor de investimentos da Sanepar, Heitor Wallace, a empresa deve aplicar R$ 1,5 bilhão em obras na rede de água e esgoto. Atualmente a empresa atende 100% da população urbana com rede de água e 60% com captação e tratamento de esgoto. Nossa meta é encerrar 2010 com 65% de atendimento de esgoto em municípios de até 65 mil habitantes e 80% em cidades com mais de 65 mil habitantes, adianta.
Os recursos da Sanepar para investimento vem do próprio caixa da empresa, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da União e do Banco Nacional do Desenvolvimento. Estamos pleiteando outros R$ 160 milhões junto a União que serão investidos ainda esse ano, antecipa.
Na Copel, as obras da Usina de Mauá, no Rio Tibagi, entre Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana) e Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa) continuam. O empreendimento deve começar a operar em 2011 com orçamento total estimado em R$ 1 bilhão. A empresa também deve aplicar R$ 1,3 bilhão em obras na ampliação e manutenção da rede de distribuição, além de investimentos em geração de energia e telecomunicações. Outros R$ 29 milhões serão investidos pela Compagás na ampliação da rede de distribuição de gás natural em Curitiba e Londrina.


