Calçadão se transforma em palanque
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 1998
Patrícia Zanin 
O tempo ajudou e o calçadão de Londrina se transformou num grande palanque aberto ontem de manhã. Na véspera da eleição, candidatos e cabos eleitorais concentraram esforços no corpo a corpo com o eleitor. Mas eles dividiram espaço com os tradicionais frequentadores do calçadão: a pregação de um pastor evangélico era feita ao lado da distribuição de santinhos. A menos de 200 metros, os sons de atabaque, pandeiro e berimbau denunciavam uma roda de capoeira. Atores fizeram performances teatrais e entregaram material de campanha da candidata a deputada estadual Nítis Jacon (PSDB).
Também os próprios candidatos fizeram contato com o eleitor. Em quase uma hora de plantão no calçadão, a Folha flagrou Nedson Micheleti (PT), candidato ao Senado, e os candidatos a deputado federal Paulo Bernardo (PT), Luiz Carlos Hauly (PSDB), Farage Kouri (PFL), Gelson dos Santos (PMN) e a estadual Moysés Leônidas (PDT). Também tinham passado por ali os candidatos a federal José Janene (PPB) e Leite Chaves (PMDB).
O Sindicato dos Bancários de Londrina instalou um placar no calçadão para destacar como os cinco deputados federais de Londrina votaram na reforma da Previdência. É uma forma de alertar e informar o eleitor, contou Paulo Lima, diretor do Sindicato. A entidade também distribuiu ontem e durante a campanha 4 mil exemplares do jornal do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) mostrando a atuação dos deputados do Paraná na votação das reformas constitucionais. Também foram exibidos cartazes pedindo à população que diga não aos políticos que privatizaram o Banestado, com fotos dos deputados estaduais e do governador Jaime Lerner (PFL).
Cabos eleitorais não só distribuíram como também trocaram presentes. Garotas contratadas por Janene que entregavam batons e chaveiros receberam canetas de moças contratadas por Hauly e vice-versa.
O gerente administrativo Ângelo Alcântara, 31 anos, foi abordado ontem por vários cabos eleitorais e ganhou brindes. Tratou todos com educação, mas confessou: É um incômodo. Já a aposentada Júlia Cândida de Abreu, 68 anos, gostou da agitação. É divertido, afirmou.
A gari Antônia de Brito Mota, 40 anos, diz que não vê a hora de a eleição terminar. Em matéria de porquice, os londrinenses são campeões, afirmou. Ela reclamou que seu trabalho aumentou muito por causa da campanha. Nos últimos 20 dias, a gari tem recolhido todas as manhãs, 15 sacos de papel de 100 litros. Sem eleição, ela enche apenas três. Amanhã (hoje) esse calçadão vai amanhecer branquinho de papel, prevê. Trinta funcionários devem fazer a limpeza do local neste domingo.


