Caixa é refém da Gtech, diz presidente da CEF
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terça-feira, 23 de março de 2004
Agência Estado 
A Caixa Econômica Federal (CEF) não possui registro gravado ou escrito das reuniões de negociação com a multinacional Gtech que precederam a assinatura da renovação do contrato de operação das loterias, em 8 de abril, pelo prazo máximo de 25 meses. ''Olhando para trás, acho que foi um erro'', admitiu o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, que ontem fez uma longa exposição sobre as relações da instituição com a empresa, na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado.
Num depoimento de mais de quatro horas, Mattoso afirmou que a Caixa é refém de um contrato que não lhe interessa, por força de liminares e sentenças expedidas quase sempre pela juíza Maísa Giudice, da 17Vara da Justiça Federal. Ele disse que desde 2000 a instituição luta em vão para assumir o controle operacional das loterias, pelo qual paga R$ 1 milhão por mês à multinacional.
Até o final dos 25 meses, a Caixa terá desembolsado R$ 650 milhões em comissão pelo processamento, transmissão de dados e manutenção dos equipamentos das casas lotéricas, serviço sobre o qual, conforme afirmou, a Gtech mantém um poderoso cartel lesivo à Caixa.
Mattoso explicou que a antiga administração da Caixa tinha por prática gravar as reuniões, mas ele não achou isso relevante. Para ele, o importante era conseguir um bom negócio. E acrescentou que o contrato em vigor não foi objeto de voto da diretoria e esse voto não era necessário, por se tratar de aditamento.


