Um cheque de quase R$ 100 mil desviado da Prefeitura de Maringá foi depositado na conta do extinto Instituto de Previdência do Congresso, em Brasília. Até 1998, a entidade era responsável pelo pagamento das aposentadorias dos parlamentares – senadores e deputados federais – e acabou substituída por um fundo de pensão tradicional. O depósito foi confirmado ontem, por telefone, pelo promotor José Aparecido da Cruz, responsável pelas investigações dos desvios da prefeitura.
O promotor informou que ainda está investigando o motivo de dinheiro desviado em Maringá ter ido parar em Brasília e não quis antecipar detalhes. Uma das hipóteses seria a de que o valor serviu para o pagamento de empréstimo feito por um parlamentar junto ao instituto; ou então foi uma quitação antecipada do recolhimento do fundo.
Cruz e o promotor de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, Bruno Sérgio Galatti, voltaram ontem de Brasília, onde estiveram tentando levantar novas informações sobre a relação entre o ex-secretário de Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, e o empresário-doleiro Alberto Youssef, de Londrina. Youssef recebeu cheques da Prefeitura de Maringá em sua conta bancária.
Cruz considerou a viagem frutífera. Ele disse que esteve em contato com a cúpula da Polícia Federal, Ministério da Justiça, Procuradoria da República e Promotoria do Distrito Federal. Ficou acertado que algumas diligências serão feitas na capital federal tanto pelo Ministério Público do Distrito Federal quanto pela Procuradoria da República.
Na PF, o assunto foi a abertura de contas no exterior – mas o promotor novamente não quis revelar detalhes. Cruz disse ainda que checou uma remessa de dinheiro da Prefeitura de Maringá feita para o Banco do Brasil em Brasília. ‘‘Isso ficou esclarecido. Foi um pagamento regular da prefeitura municipal feito ao Fundo de Participação dos Municípios’’, disse.
O dinheiro desviado de Maringá também teria financiado despesas pessoais de Paolicchi e do ex-prefeito afastado Jairo Gianoto (sem partido). Pelo menos cinco máquinas colheitadeiras, por exemplo, no valor total de R$ 600 mil, foram compradas em Londrina para serem usadas nas fazendas de Paolicchi e Gianoto. Outros R$ 60 mil financiaram a plantação de árvores na luxuosa chácara do ex-secretário em Maringá. A chácara possui até heliporto.
A relação entre Paolicchi e Youssef tem ocupado boa parte do tempo das investigações do MP. O doleiro chegou a ser preso, no final do ano passado, acusado de ‘‘lavar’’ R$ 120 mil desviado da Prefeitura de Londrina em uma licitação fraudulenta. Depois de 17 dias na cadeia, Youssef foi solto por decisão do Tribunal de Justiça – que atendeu à liminar proposta em habeas- corpus. Ele também é investigado pela PF de ser responsável por um amplo esquema de lavagem que movimentou, somente de maio de 1998 a janeiro de 1999, R$ 150 milhões em 32 contas fantasmas de agências do Banestado de Londrina.

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