Caixa corta verbas e base governista ameaça votação
A campanha eleitoral já começou a interferir no andamento da reforma da Previdência na Câmara, mas é o próprio governo quem mais ameaça a conclusão da proposta neste momento. Integrantes de partidos aliados do governo não querem votar a reforma enquanto não tiverem seus pleitos atendidos. Por causa do problema, as votações que ainda restam no primeiro turno estão sendo feitas lentamente e empurrando para abril o desfecho da reforma.
O líder do PTB, deputado Paulo Heslander (MG), já havia alertado o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), de que sua bancada não ia votar a reforma enquanto a Caixa Econômica Federal (CEF) não liberasse a verbas dos convênios com as prefeituras, contempladas por emendas de parlamentares para obras de saneamento.
Como se não bastasse, um outro problema contaminou a base governista ontem, enfurecendo um grupo de deputados fiéis ao governo. O Ministério da Cultura cortara 60% das emendas parlamentares destinadas a projetos nas prefeituras, sem avisar aos donos das emendas. O aviso foi feito pelo Ministério diretamente aos municípios. Quando os deputados começaram a receber reclamações dos prefeitos de suas bases, a irritação tomou conta de parte do plenário.
Ele (o ministro da Cultura, Francisco Wefort) não poderia ter feito isso; as emendas têm de ser respeitadas, criticou o deputado Elton Rohnelt (PFL-RR). Eu temo pela reforma, emendou o líder Paulo Heslander, ao responsabilizar o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Sérgio Cutolo, por parte dos problemas dos líderes na votação das reformas. A Caixa tem sido o grande complicador dessa votação, reclamou Heslander. Isto está trazendo um desgaste que está inviabilizando a reforma; hoje (ontem) por exemplo, não votamos um destaque da oposição por causa disso, completou. Somente no PTB, as emendas retidas pela CEF somam cerca de R$ 10 milhões.
A falta de entendimento entre governo e sua base no Congresso é incrementada com os problemas internos do aliado PMDB, que saiu inteiramente rachado da convenção de domingo.





