Caixa assume controle de bingos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de maio de 2000
Agência Estado De Brasília 
Foco de denúncias de corrupção na autorização de bingos durante a gestão do ex-ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, o Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp) está com suas atividades esvaziadas. O ministro Carlos Melles, que substituiu Greca, retirou ontem do Indesp as atribuições de autorizar e fiscalizar bingos no País e as repassou para a Caixa Econômica Federal (CEF). Melles anunciou que o governo publica no domingo uma medida provisória oficializando a mudança.
A Caixa Econômica também ficará responsável pela aprovação, análise e liberação dos recursos de projetos de infra-estrutura esportiva, entre eles a contrução de quadras e ginásios esportivos, função antes atribuída ao Indesp. A medida, segundo Melles, não representa o esvaziamento do órgão. O ministro explica que a mudança faz parte do projeto de reestruturação do ministério e das autarquias a ele vinculadas.
Segundo o ministro, o repasse dos bingos e projetos para a CEF permitirá ao Indesp desenvolver suas atividades de fomentar o desporto no País. A CEF já tem experiência com as loterias esportivas e, com certeza, cuidará bem dos bingos, lembra Melles. O ministro reconheceu que não fazia sentido o Indesp cuidar de bingos. A medida foi encomendada na terça-feira por Melles ao presidente do Indesp, Augusto Viveiros.
Este ano, o Ministério Público Federal ingressou na Justiça com 22 ações de improbidade administrativa contra o Indesp, acusando o órgão de ter firmado convênios sob suspeita de irregularidade com prefeituras de diversos Estados. Melles disse que 52 projetos dos 644 aprovados pelo Indesp no ano passado foram irregulares.
O ministro anunciou ainda que a partir de agora a CEF assumirá também a construção de 644 unidades esportivas aprovadas no ano passado pelo ministério, orçadas em R$ 64,5 milhões. Ainda ficarão sob a responsabilidade da CEF os projetos a serem financiados este ano pelo Ministério do Esporte e Turismo, que somam de R$ 90 mi.
Melles afirmou que todos os projetos de 99 e deste ano passarão por uma análise técnica de advogados e engenheiros da CEF, antes da liberação do dinheiro.


