Caixa admite uso de bilhetes premiados em lavagem de dinheiro
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Sônia Filgueiras<br>Agência Estado 
Brasília - O superintendente de loterias da Caixa Econômica Federal, Paulo Campos, admitiu ontem que bilhetes premiados de loteria são utilizados na lavagem de dinheiro. ''Apesar desse segmento (de loterias) ser utilizado para lavagem de dinheiro em todo o País e em qualquer parte do mundo, é onde está havendo maior índice de redução de utilização'', disse, referindo-se aos efeitos dos mecanismos de controle da Caixa e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
No entanto, Campos classificou como ''requentadas'' as denúncias apresentadas pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que, com base em relatórios do Coaf repassados ao Ministério Público (MP), denunciou a existência de um esquema de uso de loterias na lavagem de dinheiro. Campos isentou a CEF de responsabilidade pelas fraudes e não quis especular sobre como os lavadores localizam os donos dos bilhetes premiados para comprá-los.
''Isso é competência da Polícia Federal e do Ministério Público'', disse. ''Não há fraude nas loterias federais. Os indícios tratados na denúncia ocorrem em ambiente externo à Caixa'', completou o superintendente, sugerindo que os lavadores identificam os donos de bilhetes premiados do lado de fora das agências.
Pela lei, a Caixa é obrigada a informar ao Coaf os nomes de todos os ganhadores de prêmios acima de R$ 10 mil, além de operações suspeitas, referentes a vencedores repetidamente sorteados. O Coaf cruza os dados recebidos com aqueles já disponíveis em seus arquivos e remete relatórios comunicando casos suspeitos à PF e ao Ministério Público.
A CEF, negou o envolvimento de funcionários nas fraudes. Segundo Campos, é impossível que um servidor da CEF conheça previamente o nome de um apostador premiado. Como os bilhetes são ao portador, o apostador sorteado só é identificado no momento em que se apresenta à agência para receber o prêmio.
Na última segunda-feira, Dias divulgou um levantamento das comunicações repassadas pelo Coaf à Polícia Federal e ao Ministério Público com os nomes de pessoas suspeitas de utilizarem bilhetes de loterias como forma de lavagem.
O balanço mostra que no período de 2002 a 2006, apenas 75 pessoas, suspeitas de envolvimento em operações de lavagem, receberam R$ 32 milhões em prêmios.


