Brasília, DF- Quase um ano após o escândalo Waldomiro Diniz, a Caixa Econômica Federal abre hoje licitação para escolher os fornecedores e operadores da sua rede de 9 mil loterias espalhadas pelo País.
Atualmente, a multinacional Gtech detém o monopólio desses serviços. O contrato entre a empresa e a Caixa, em vigor desde 1997, foi considerado lesivo pelo Tribunal de Contas da União e é alvo de processo na Justiça Federal por suspeita de favorecimento e superfaturamento.
Diniz, que foi subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República até fevereiro de 2004, é acusado de ter usado o cargo para influir na última renovação do contrato, fechada em abril de 2003. O inquérito que apura o seu envolvimento foi aberto em fevereiro de 2004 e retornou pela segunda vez à Polícia Federal por falhas nas investigações.
Conforme investigações do Ministério Público e da PF, Diniz teria pressionado a Gtech a contratar Buratti como consultor para facilitar a renovação do contrato com a CEF. Pelos serviços, Buratti teria cobrado uma comissão de R$ 6 milhões.
O contrato foi renovado em abril de 2003, apesar de recomendações contrárias do Tribunal de Contas da União (TCU). A Gtech confirma que foi alvo de chantagem, mas nega ter pago a comissão e assegura que não cometeu nenhuma irregularidade na assinatura do contrato. Siqueira quer saber se de fato a propina não foi paga e se Diniz e Buratti tinha cúmplices dentro da Caixa.
A diretoria da Caixa nega envolvimento com os atos ilegais atribuídos ao ex-assessor palaciano. Informa também que, embora fosse contrária à renovação e à abertura de licitação para contratação de um novo operador, estava aprisionada por sentenças judiciais favoráveis à Gtech.
A licitação é a primeira de uma série de quatro pregões, agendados até o próximo dia 31, até que todos os serviços de operação da rede de loterias esteja completado. O negócio, de R$ 1,3 bilhão só nesta primeira etapa, está agitando o mercado de tecnologia da informação.
Até gigantes do ramo, como a Telefônica de Espanha, a Embratel, a Tim, a Telemar e a Brasil Telecom estão de olho no filão. A rede de casas lotéricas da Caixa movimenta cerca de R$ 60 bilhões ao ano, entre jogos, recebimento de tributos e de contas públicas, como telefone e energia. Em 2004, os lotéricos arrecadaram R$ 4,2 bilhões em jogos e realizaram 803,6 milhões de transações bancárias.
O contrato da Gtech com a Caixa se extingue definitivamente em maio. A empresa, porém, participa de todas as etapas da licitação em curso.

mockup