O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná cassou cinco vereadores do município de Sengés (Centro Oriental) por prática de "caixa 2" durante a campanha eleitoral do ano passado. Dos 11 parlamentares da cidade, Antônio Carlos Messias (PPL), Silvio Gaia (PP), Márcio Ricardo dos Santos (PMDB), Lourival de Jesus Antônio (PP) e o ex-presidente João Batista Vaz (PMDB) foram condenados por arrecadação e gastos ilícitos no período eleitoral.
Todos foram condenados em primeira instância no mês de junho, mas, por força de uma liminar, permaneciam no Legislativo até a semana passada, quando veio a decisão do TRE. A condenação também alcança os suplentes Cláudio Alves de Miranda (PPL), Enéias Rodrigues (PSDC), Celso Romualdo dos Santos (PSDC) e Orlando Fernandes (PPL). Além da cassação, a Justiça decretou a inelegibilidade deles por oito anos. Outros suplentes já foram convocados e empossados na Câmara Municipal de Sengés.
Os nove vereadores e ex-vereadores foram acusados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) de movimentação de recursos, sem prestação de contas, por meio de uma empresa da cidade, a "Madeireira Bortoluzze". Segundo o MPE, durante as investigações, foi apreendido um caderno "contendo anotações de valores recebidos pelos candidatos" durante o pleito.
A FOLHA conversou com o vereador Silvio Gaia, que negou a irregularidade durante a disputa de 2012. Ele afirmou que até a condenação não sabia da existência do caderno. "Depois vi que tinha anotações sobre todos os candidatos da coligação porque ele (empresário, dono da madeireira) cuidava do financeiro da nossa campanha, mas tudo o que foi gasto por nós foi demonstrado." Segundo Gaia, praticamente todos os concorrentes da chapa tinham os seus nomes relacionados no caderno, apreendido na empresa. "Por que só nós fomos acusados?", indignou-se. Ele e os demais vão recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O ex-presidente da Casa João Vaz estava com o celular desligado. Os demais ex-parlamentares não foram localizados. A reportagem também tentou falar com o proprietário da madeireira, mas logo no começo da conversa a ligação caiu e depois ele não atendeu mais. O atual presidente da Câmara, Claudemir Fernandes Cleto Filho (PSDB), também foi procurado, mas não atendeu as ligações feitas para o celular. Na segunda-feira última ocorreu a primeira sessão legislativa com a nova composição.

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