'Caixa 2 é pratica antiga e comum', diz candidato
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segunda-feira, 12 de agosto de 2002
Maria Duarte<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O primeiro debate ao vivo entre os sete principais candidatos ao governo do Estado, transmitido pela TV Bandeirantes anteontem, teve seu ponto alto quando Severino Araújo, do PSB, afirmou que caixa 2 em campanha eleitoral é prática antiga e comum. Araújo disse ainda que, em 1985, chegou a integrar um comitê não registrado. O comitê, no caso, seria da campanha do hoje senador Roberto Requião (PMDB) à Prefeitura de Curitiba.
O PMDB de Requião é um dos principais críticos do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), alvo de investigação da Polícia Federal e Ministério Público. Tanto a PF quanto o MP buscam provar a existência de um caixa 2 na campanha que reelegeu Cassio em 2000, quando o o irmão de Requião, o ex-deputado federal Maurício Requião, também foi candidato a prefeito.
Severino Araújo afirmou que o comitê funcionou durante a campanha de Requião, e que ele chegou a pagar uma dupla de cantores sertanejos sem contabilizar na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral. Requião sentiu-se atacado e pediu direito de resposta. O senador afirmou não ter conhecimento desse comitê. ''Se ele (Araújo) pagou alguma dupla sertaneja, fez sem eu saber.'' Em um rompante de sinceridade, Araújo admitiu ainda que a legislação eleitoral não coíbe os caixas paralelos.
No geral, o debate foi ameno, mas tocou em pontos nevrálgicos de alguns candidatos. Além do caixa 2 da campanha de Cassio, foi ressuscitada a desastrosa ação policial contra os professores no governo Alvaro Dias (1987-1990). Em agosto de 1988, a tropa de choque enfrentou professores em frente ao Palácio Iguaçu.
Um dos jornalistas convidados a participar do debate perguntou a Alvaro como ele rebateria possíveis críticas com relação ao episódio, já que Alvaro é professor, formado em história. O candidato do PDT prometeu ''não subestimar a inteligência das pessoas''. ''Tomei as providências que cabiam como governador'', argumentou.
O ex-secretário da Fazenda Giovani Gionédis (PSC) reafimou diversas vezes que sua meta é enxugar a máquina administrativa, de 25 para 10 secretarias.
Padre Roque Zimmermann (PT) convidou Requião a apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência. Requião avisou que tem conversa marcada para hoje com Lula, que estará em Curitiba em busca de outro palanque, além do de Padre Roque.
O candidato governista, Beto Richa (PSDB) que nega ser o nome do governador Jaime Lerner (PFL), apesar de ter o apoio declarado do pefelista , prometeu manter a Copel como estatal em um eventual governo seu, ao contrário do que tentou fazer Lerner.
Requião, que adotou incomum comportamento calmo, declarou ainda que reabre o Instituto de Previdência do Estado (IPE) caso seja eleito. Voltou a bater na tecla de reduzir o preço do pedágio ou cancelar o contrato com as concessionárias.
Rubens Bueno (PPS) voltou a insistir na necessidade de transparência das contas durante a campanha e disse que levou ao estúdio da tevê as contas de sua campanha até agora.


