Depois de passar dois dias sendo acusado de autor da chantagem contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, no episódio das Ilhas Cayman, o ex-doleiro de Curitiba, Jamil Degan, apareceu ontem, em Nova York, para negar os fatos. Ele procurou o pastor Caio Fábio, que foi a pessoa que tornou o caso público, para tentar provar que os dois nunca tinham se encontrado antes. ‘‘Nunca afirmei que conhecia qualquer pessoa chamada Jamil Degan’’, afirmou ontem, Caio Fábio.
A declaração do pastor, que foi colocada ontem na Internet, é contrária a afirmação que ele fez dias atrás, quando teria dito que se encontrou no Hotel Ritz de Fort Lauderdale com um homem que se identificou como ‘‘Began’’ ou ‘‘Degan’’. O pastor tinha ido ao encontro com um amigo para receber alguns documentos sobre a empresa de Fernando Henrique Cardoso e dos ministros José Serra (Saúde), Sérgio Motta (ex-Comunicação) e do governador de São Paulo, Mário Covas.
Na mensagem da Internet, Caio Fábio reforçou a tese de que jamais vira o homem que se apresentou para ele como sendo Jamil Degan. ‘‘Para meu susto e amplificação das angústias, fui procurado por um senhor, indignado, que me perguntou se eu o conhecia. Como jamais o vira antes, respondi que ‘de lugar nenhum’. O homem então me mostrou sua identidade, na qual constava o nome Jamil Degan. Definitivamente, ele não era a pessoa que encontrei no hotel’’, declarou o pastor, pela Internet.
Uma das pessoas que levantou a suspeita de que o ex-doleiro curitibano era a mesma pessoa que queria chantagear o presidente da República disse desconfiar da história contada, ontem, pelo pastor Caio Fábio e por Jamil Degan. ‘‘Temos três possibilidades neste caso: ou o Jamil mandou um colega se apresentar ao pastor como sendo ele, ou os dois armaram um esquema para encobrir o caso, ou, a terceira hipótese, é que o Degan não esteja mesmo envolvido. Mas acho isso muito difícil’’, declarou à Folha, o empresário que não quis se identificar.
A denúncia do envolvimento de Degan na história partiu de um empresário curitibano, que trabalhou com o ex-doleiro no mercado de valores mobiliários na década de 60. Ele enviou para os jornais informações de que teria uma assinatura, em uma promissória, que se assemelhava com a de Degan.
Jamil Degan é um ex-doleiro que viveu em Curitiba, na década de 60. Ele teria aplicado um golpe que totalizou US$ 1 milhão. Algumas pessoas lesadas por ele, na época, estão por trás das acusações de que ele está envolvido no caso da chantagem.

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