Durante as cinco horas em que prestou depoimento na sede dae PF, Caio Fábio esteve tranquilo. Ele teve pelo menos três horas para contar a história de como o documento chegou ao conhecimento da opinião pública. As duas horas restantes foram usadas pelo delegado Paulo de Tarso Teixeira para interrogá-lo. Nem mesmo quando seus advogados Nilo Batista e José Geraldo Grossi deixavam a sala, Caio Fábio perdia a tranquilidade, demonstrada desde o momento em que chegou ao prédio da PF.
Caio Fábio, que está morando nos Estados Unidos, chegou na semana passada ao Brasil disposto a prestar depoimento na PF, já que tinha certeza de que não seria indiciado. ‘‘Não sou criminoso’’, disse ele, que apenas titubeou quando afirmou aos jornalistas que teria contado alguns fatos novos ao delegado Teixeira. Aconselhado por Nilo Batista, ele relatou a possibilidade de haver um novo dossiê, de existirem novos nomes envolvidos no caso e de outros fatos. Aos jornalistas, descartou qualquer relação atual com o ex-presidente Fernando Collor de Mello. ‘‘Faz tempo que não o vejo e só o comprimentei algumas vezes’’, disse.
Até agora, a PF ouviu 25 pessoas no caso, incluindo o ex-candidato do PT à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-prefeito Paulo Maluf, a ex-candidata do PT ao governo de São Paulo Marta Suplicy e o ex-presidente do Banco do Brasil Lafayette Coutinho. A próxima etapa, no Rio de Janeiro, será em torno das pessoas ligadas ao pastor, que também poderá prestar novo depoimento no decorrer do inquérito. ‘‘Estou disposto a colaborar com a polícia’’, disse Caio Fábio ao chegar de táxi na sede da PF.

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