Caingangues não aceitam decisão do TJ
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terça-feira, 29 de julho de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
Arquivo FolhaDesabafoLorival de Oliveira, presidente do Conselho Indígena: ninguém nos consultouEm caingangue, entantioê significa rasteira. Foi assim que o presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lorival de Oliveira, definiu a decisão do Tribunal de Justiça (TJ) de devolver a Tamarana a responsabilidade pela reserva indígena Apucaraninha, antes subordinada a Londrina. Ninguém nos consultou. O branco não tem esse direito e a gente quer respeito, reivindica.
Ele ameaça lotar dez ônibus com índios e baixar em Curitiba para defender vínculo da reserva com Londrina. Ano passado, os índios foram duas vezes a Curitiba e conseguiram garantir sua reivindicação através de lei estadual, alvo de questionamento de inconstitucionalidade pelo deputado estadual José Maria Ferreira (PSDB). O deputado Pessuti que se cuide porque a gente pega ele, ameaça Oliveira. Orlando Pessuti (PMDB) defende o atendimento da reserva por Tamarana. O deputado virou grileiro de índio?, questiona. Chega do branco agredir o índio por causa de terra, desabafa.
O presidente do Conselho diz que na década de 40 a reserva tinha 86 mil alqueires. Hoje não são nem 2 mil e 600. Cadê o resto? Ele acusa a prefeitura de Tamarana de se interessar apenas pelos royalties ecológicos da reserva. Os índios não aceitam que o município seja responsável pelo atendimento das necessidades dos caingangues, alegando falta de estrutura. Segundo Lorival de Oliveira, a prefeitura de Londrina, através da secretaria de Ação Social, mantém programas e funcionários concursados exclusivos para a reserva nas áreas de saúde, educação e agricultura.
O prefeito de Tamarana, Edison Siena (PDT) considerou uma vitória a decisão do TJ, apesar de o mérito ainda não ter sido julgado. A Justiça está devolvendo o que é nosso. Londrina levava o ICMS, mas quem assume os gastos com saúde dos índios sou eu, explica. Ele disse que voltará a receber R$ 4,7 mil/mês de ICMS ecológico e garante que pode oferecer a infra-estrutura necessária à reserva, que tem cerca de mil índios.


