A Assembléia Legislativa derrubou ontem, por 35 votos a 14, o veto do governador Jaime Lerner (PFL) à Lei Estadual de Incentivo à Cultura no Paraná. Para o deputado Ângelo Vanhoni (PT), autor da proposta, o veto ocorreu num ‘‘momento de disputa eleitoral’’, mas agora ‘‘isso está superado’’. A lei prevê benefícios fiscais para quem investir em cultura.
Na galeria da Assembléia um pequeno grupo de artistas acompanhou a votação, que transcorreu em sessão extraordinária. Mesmo assim aplaudiu com entusiasmo os políticos favoráveis à derrubada do veto, fazendo com que o presidente da Casa, Hermas Brandão (PTB), exigisse silêncio.
O secretário da Cultura de Londrina, Bernardo Pellegrini, presente à sessão, observou que a cultura deixou de ser diletantismo de uma classe para se tornar um elemento de importância social. ‘‘Municípios de todas as regiões têm projetos nesta área, tendo a perspectiva da cultura como geradora de rendas, de ocupação. A cultura está inserida em todos os outros setores da gestão pública. É o grande instrumento’’, frisou.
O resultado poderia não ter acontecido ontem. Apesar da votação sobre o veto estar previamente agendada, às 14h15 correu a informação de que isso não ocorreria. Os deputados Ângelo Vanhoni (PT) e Orlando Pessuti (PMDB), juntamente com o coordenador do Fórum de Cultura do Paraná Luiz Arthur Montes Ribeiro, dirigiram-se à presidência da Casa e conseguiram incluir a votação na sessão extraordinária.
Comentava-se também nos bastidores que o governo estaria disposto a lançar um fundo estadual de cultura, com a mesma finalidade da lei, para desarticular o processo de derrubada do veto. Ele teria se reunido com a secretária da Cultura Mônica Rischbieter, na tarde de terça-feira, para discutir a proposta.
Segundo esses comentários ‘‘o governador não aceita que a Lei Estadual de Incentivo à Cultura seja da oposição e muito menos do deputado Ângelo Vanhoni’’. Por meio desse fundo seriam canalizados os mesmos recursos da lei do mecenato, mas com isso Lerner poderia ‘‘reforçar-se politicamente como o mantenedor da cultura paranaense’’. Em conversa com jornalistas, o deputado Vanhoni lembrou que o veto foi feito no final do ano, logo após as eleições. ‘‘Se fosse hoje, talvez o governador não tivesse vetado’’, opinou.

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