O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), enviou ontem ao plenário ofício indeferindo o pedido de impeachment do presidente FHC, feito pela oposição na semana passada, levantando supeita de interferência do presidente no leilão da Telebrás. ‘‘Não há nenhuma fundamentação ou razão concreta para um processo de impeachment’’, afirmou Temer.
Em seu despacho, Temer afirmou que, para embasar um pedido de impeachment, a denúncia teria de vir acompanhada por documentos que a comprovem. ‘‘As fitas de escuta telefônica (cujos conteúdos foram revelados pela imprensa e originaram o pedido de impeachment) foram clandestinas e ilegais, não servem como prova em processos judiciais’’, afirmou Temer no texto.
A esquerda protestou, acusando o presidente da Câmara de ‘‘falta de coragem’’ em explicitar sua decisão em plenário. ‘‘Não é o primeiro pedido de impeachment arquivado e sem a menor justificativa para a sociedade’’, disse o líder do PT na Câmara, deputado José Genoino (SP).
‘‘O comportamento histórico da esquerda é golpista’’, definiu o líder do governo na Casa, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Para ele, com o pedido, a oposição só queria ‘‘tentar desgastar o governo’’ e não preocupação em dar explicações à sociedade sobre o assunto. Já o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), foi à tribuna do plenário para criticar a ilegalidade dos grampos.
A oposição deve recorrer. ‘‘Vamos esperar até o último dia para recorrer para deixar o assunto mais tempo no ar’’, disse Genoino. Não foi definido se o recurso será à presidência ao à CCj.

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