Cai índice de aprovação do presidente
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terça-feira, 20 de maio de 1997
Agência Estado De Brasília 
O governo está mais preocupado com o resultado das próximas pesquisas de opinião do que com os números do Ibope divulgados ontem. Em levantamento nacional que ainda não foi completamente tabulado, o instituto constatou uma queda, de 70% para 50%, no índice de aprovação do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os analistas do governo apostam que os próximos levantamentos serão piores, pois vão incorporar o efeito negativo das denúncias de compra de votos para a reeleição.
Outras duas pesquisas realizadas no mesmo período foram analisadas ontem no Palácio do Planalto. Uma delas é do instituto MCI, de Recife, que tem contrato com a Secretaria de Comunicação da Presidência. Nos dois levantamentos analisados a aprovação do presidente já era inferior aos 70% que o Ibope havia registrado em março. Os analistas do Planalto reconhecem uma queda no desempenho do presidente, mas como fruto de sucessivos desgastes e não de maneira tão acentuada.
O fator de desgaste mais importante, na ótica do governo, foi o processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, seguido pela marcha dos sem-terra a Brasília. Os dois episódios ocuparam o noticiário durante muito tempo. No caso da Vale, o governo enfrentou uma campanha da oposição no rádio, nos jornais e na tevê, sem dar resposta à altura. Já a marcha dos sem-terra começou a ganhar o noticiário pelo menos dez dias antes da manifestação na Praça dos Três Poderes.
Para os analistas oficiais, o anúncio do novo salário mínimo, que passou de R$ 112 para R$ 120, não teve o impacto negativo a ele atribuído pelo diretor do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. Isso mostra como esse governo está fora da realidade, reagiu o presidente do PT, José Dirceu. O governo não tem a menor sensibilidade social e a pesquisa demonstra seu isolamento cada vez maior, principalmente em relação aos mais pobres, os que são obrigados a viver desse salário mínimo.
A previsão de nova queda de popularidade já influi no ânimo do presidente Fernando Henrique em relação ao Congresso. Ele julga que as constantes e intermináveis negociações políticas para aprovar as reformas são outro fator de desgaste, pois dão a impressão de que o governo não anda. Chega uma hora em que o melhor é votar e encerrar as discussões, disse o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). Desgaste é um processo natural em qualquer governo, mas às vezes é melhor votar e perder do que ficar dando voltas.
Mesmo prevendo o pior, o governo não tem uma estratégia de curto prazo para enfrentar a maré ruim. Por enquanto, só nos resta aguentar a chuva e esperar que a tempestade passe, disse um interlocutor do presidente. O PSDB, no entanto, deve adotar uma atitude mais agressiva na defesa do governo.


