Brasília - Nas últimas semanas piorou consideravelmente a expectativa de vitória do PT nas capitais e grandes cidades, nas eleições de outubro. Avaliações feitas por petistas influentes em Brasília com base em sondagens e pesquisas internas apontam que, pelo quadro atual, é preocupante a situação dos candidatos do partido, inclusive em seis das oito capitais já administradas pelo PT. A mesma avaliação indica que, mantido o cenário de hoje, o partido só terá bons resultados nas cidades com até 100 mil habitantes.
O presidente nacional do PT, José Genoino, nega que tenha havido piora no desempenho dos candidatos do partido e alega que ainda é muito cedo para apostar em qualquer resultado. ''Os companheiros pessimistas não devem saber que o PT tem cabeça de chapa em 23 capitais e em 80 das 90 cidades com segundo turno. E estão todos em ótimas condições de disputa'', afirma Genoino. Ele reconhece que o partido crescerá em pequenas cidades, mas sustenta que a prioridade é fazer prefeitos em grandes centros.
Um dos ''companheiros pessimistas'' de Genoino garantiu à reportagem que entre as oito capitais que administra hoje, a situação do PT só é mais confortável em Porto Alegre e Aracaju, onde Raul Pont e Marcelo Déda estão bem à frente nas pesquisas. Citou que nas grandes cidades dos principais Estados, como São Paulo, Minas e Paraná, o cenário também é desfavorável. ''A notícia sobre o governo federal chega mais rápido nas grandes cidades'', diz o dirigente. ''Vamos dobrar nosso número de prefeituras e crescer nas cidades médias e pequenas, mas não devemos aumentar nosso número de eleitores.''
Hoje o PT administra quase 200 prefeituras. Marcelo Déda, prefeito de Aracaju que disputa a reeleição, reconhece que a eleição nas capitais será difícil, mas lembra, como Genoino, que o quadro de hoje não é definitivo. ''Não vejo como o governo federal poderá definir a eleição municipal. A situação do governo é um pano de fundo, mas o que define é a questão local.''
Além dos reflexos de resultados negativos do governo federal, como o baixo salário mínimo e índices recordes de desemprego, que chegam de imediato aos eleitores dos grandes centros, os candidatos do PT têm sofrido prejuízos na composição de alianças. É o caso de Fernando Pimentel, em Belo Horizonte, que estaria perdendo o apoio do PMDB e PL.

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