Curitiba - Após três dias de impasse e muita pressão, a diretoria da Fundação Copel renunciou ontem à tarde. O presidente da entidade, Othon Mader Ribas, encaminhou o pedido de renúncia dele e dos diretores Paulo Henrique de Almeida e Pantaleão Muniz da Silva para o presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), ex-governador Paulo Pimentel.
O governador Roberto Requião (PMDB) pediu a demissão dos diretores na última segunda-feira porque não concordou com a condução dos investimentos na fundação, que administra a previdência e o fundo de saúde dos funcionários da Copel. A crise foi provocada quando o governador foi informado que a Fundação Copel estava comprando debêntures das concessionárias de pedágio Econorte, do Paraná; e Ecosul, do Rio Grande do Sul. Os diretores resistiram três dias, argumentando que somente o Conselho Deliberativo da entidade tinha poderes para exonerá-los. Mas não resistiram à pressão.
Pimentel encaminhou o pedido de renúncia ao presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Copel, Edson Rauen Vianna, que convocou a reunião do conselho para a próxima segunda-feira, dia 1º. Pimentel e diretores da Copel se reuniram ontem à tarde para avaliar nomes já indicados ao conselho.
Para presidente da Fundação Copel, a diretoria da Copel indicou o nome do engenheiro eletrecista Murilo Batista Júnior, de 47 anos, funcionário da Copel desde 1979. Atualmente ele é gerente da Superintendência Regional de Distribuição Leste da Copel. Os nomes para as demais diretorias não foram discutidos.
Ribas saiu da fundação argumentando que conduziu a entidade com critérios técnicos, que a colocaram em primeiro lugar no ranking dos grandes fundos de investimentos do País. Em outubro de 2003, a fundação teve superávit foi de R$ 168 milhões e o retorno em renda variável foi de 69,56% no período de janeiro a novembro deste ano.
Sobre a compra das debêntures das concessionárias de pedágio, Ribas sustenta que elas foram compradas no mercado secundário por orientação de analistas de mercado. A concessionária Econorte divulgou um edital na imprensa onde afirma que os papéis da empresa foram classificados como de risco A, considerados muito baixos e que está em dia com o pagamento dos juros.

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