CAE volta a discutir empréstimos ao PR
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quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaLobbyLerner: governador foi a Brasília disposto a convencer os senadores sobre importância dos empréstimosA CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado volta a apreciar hoje pela manhã os três empréstimos externos feitos pelo Paraná junto a organismos financeiros internacionais. Os empréstimos totalizando cerca de US$ 490 milhões estão bloqueados desde meados deste ano e só foram incluídos na pauta graças a uma manobra política do governador Jaime Lerner (PFL) junto aos senadores e deputados federais do PFL.
Lerner foi ontem a Brasília pedir o empenho dos 24 senadores do partido para a liberação do dinheiro. Junto com o chefe da Casa Civil, Rafael Greca; com os secretários da Fazenda, Giovani Gionédis; e do Planejamento, Miguel Salomão, ele expôs os motivos para a pressa no desbloqueio. Eu sempre quero deixar claro para quê nós queremos o dinheiro dos empréstimos. Não é dinheiro solto. São projetos que se inserem em um programa de desenvolvimento por todas as instituições internacionais que os financiam, declarou através de sua assessoria de imprensa.
O apelo para a retomada das discussões em torno dos empréstimos foi feito aos 13 senadores do PFL presentes, mas a participação da bancada de deputados do Paraná foi considerada, pelo governo, como fundamental para garantir a discussão da matéria pela CAE. Os oito deputados do PFL, representando o Estado, condicionaram sua participação na votação da reforma administrativa ontem à noite ao retorno dos empréstimos na pauta. Fernando Carli e João Iensen, ambos do PPB, aderiram ao movimento coordenado por Paulo Cordeiro.
O deputado federal diz que depois da conversa que o partido teve com o governador, diversos contatos políticos foram feitos com o líder do PSDB na Câmara, Sérgio Machado. O presidente Fernando Henrique Cardoso ficou sabendo da reivindicação do Paraná e pediu, para não por em risco a reforma, a inclusão dos empréstimos na pauta da Comissão. Foi uma vitória sem dúvidas, avalia Paulo Cordeiro. Luciano Pizzatto diz que o líder tucano fez corpo mole em solidariedade ao senador Osmar Dias, mas que foi obrigado a mudar de posição diante dos fatos.
Em Brasília, o governador entregou carta ao presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e ao presidente da CAE, José Serra (PSDB-SP), solicitando a apreciação da matéria com urgência e em plenário, o que acabou não acontecendo como o planejado. A pedido da liderança tucana, Serra decidiu colocar a matéria em discussão na CAE. Lerner deixou claro ao líder da sigla no Senado, Hugo Napoleão (PI) e aos senadores Vilson Kleinubing (SC), Romeu Tuma (SP) e Agripino Maia (RN), a sua opinião de que os empréstimos do Paraná só estão emperrados por ação política e não por questões técnicas como alegam os senadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Osmar Dias (PSDB-PR).
Ele lembrou o caso do Rio Grande do Sul que, apesar do comprometimento de 86,38% de suas receitas líquidas com folha de pagamento, conseguiu liberação de empréstimos. O Paraná descumpre a lei Rita Camata - que fixa em 60% o limite de gastos - mas tem índices menores de comprometimento, cerca de 73%. O governador falou ainda da situação de endividamento. A dívida pública foi um dos argumentos levantados por Osmar e Requião para negar os empréstimos. Conforme os números do governo, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm dívidas maiores e nem por isso são boicotados.


