CAE não analisa caso Banestado
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sexta-feira, 27 de novembro de 1998
Carmem Murara e Leandro Donatti 
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, não conseguiu forçar a realização de uma reunião extra ontem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, para analisar a concessão de um socorro financeiro para o Banestado, mas retornou ao Paraná com a garantia de que as denúncias feitas pelo senador Roberto Requião (PMDB) não vão interferir no processo de votação. O Senado tem em mãos um documento confirmando que as denúncias são esporádicas, sem base legal para embargar a votação, declarou.
Requião voltou a ameaçar o Palácio Iguaçu ontem. A assessoria do senador distribuiu aos jornais uma nota dando conta que até terça-feira que vem encaminha à CAE um dossiê com documentos comprovando que integrantes do governo tem responsabilidade pela atual situação financeira do Banco. O pedido de socorro ao Banestado não pode ser votado pelos senadores da CAE sem que seja examinada a responsabilidade da diretoria do Banco e do governo do Estado pela sua quebra, considerou Requião.
Um rombo de R$ 400 milhões, deixado durante a gestão do ex-secretário Osvaldo Magalhães dos Santos na Banestado Leasing e que é investigado pela Polícia Federal e Ministério Público, é a denúncia mais batida pelo senador do PMDB. A divulgação das atas de reuniões da diretoria do Banestado é o outro filão usado por Roberto Requião. Ele já acionou o Tribunal de Contas do Estado para analisar o teor da papelada. E agora quer que os senadores avaliem o peso de suas acusações antes de liberar o empréstimo.
Para Gionédis, a estratégia do senador é ganhar tempo. O secretário acredita que o senador vai pedir vistas ao processo, o que pode retardar a votação em uma semana. Estamos no prazo. Até o dia 15 de dezembro tudo estará acertado, apostou. Gionédis não esconde, entretanto, sua apreensão quando a briga é com o senador Requião. Ele acompanhou de perto a queda-de-braço travada entre Requião e Osmar Dias (PSDB) contra a liberação de empréstimos externos para o Paraná, no final do ano passado.
A CAE se reúne na próxima terça-feira para analisar o repasse pelo governo federal de R$ 3,7 bilhões. O passivo do Banestado é avaliado em R$ 4,1 bilhões. Do bolo, R$ 3,7 bilhões serão injetados pela União e o restante, cerca de R$ 400 milhões, pelo governo estadual. O pedido de empréstimo se arrasta há pelo menos quatro meses. O governo tem pressa na liberação das primeiras parcelas do empréstimo. Até meados do ano que vem, o Banestado tem de estar em boas condições financeiras para se tornar atrativo para a iniciativa privada.


