O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, não conseguiu forçar a realização de uma reunião extra ontem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, para analisar a concessão de um socorro financeiro para o Banestado, mas retornou ao Paraná com a garantia de que as denúncias feitas pelo senador Roberto Requião (PMDB) não vão interferir no processo de votação. ‘‘O Senado tem em mãos um documento confirmando que as denúncias são esporádicas, sem base legal para embargar a votação’’, declarou.
Requião voltou a ameaçar o Palácio Iguaçu ontem. A assessoria do senador distribuiu aos jornais uma nota dando conta que até terça-feira que vem encaminha à CAE um dossiê com documentos comprovando que integrantes do governo tem responsabilidade pela atual situação financeira do Banco. ‘‘O pedido de socorro ao Banestado não pode ser votado pelos senadores da CAE sem que seja examinada a responsabilidade da diretoria do Banco e do governo do Estado pela sua quebra’’, considerou Requião.
Um rombo de R$ 400 milhões, deixado durante a gestão do ex-secretário Osvaldo Magalhães dos Santos na Banestado Leasing e que é investigado pela Polícia Federal e Ministério Público, é a denúncia mais batida pelo senador do PMDB. A divulgação das atas de reuniões da diretoria do Banestado é o outro filão usado por Roberto Requião. Ele já acionou o Tribunal de Contas do Estado para analisar o teor da papelada. E agora quer que os senadores avaliem o peso de suas acusações antes de liberar o empréstimo.
Para Gionédis, a estratégia do senador é ganhar tempo. O secretário acredita que o senador vai pedir vistas ao processo, o que pode retardar a votação em uma semana. ‘‘Estamos no prazo. Até o dia 15 de dezembro tudo estará acertado’’, apostou. Gionédis não esconde, entretanto, sua apreensão quando a briga é com o senador Requião. Ele acompanhou de perto a queda-de-braço travada entre Requião e Osmar Dias (PSDB) contra a liberação de empréstimos externos para o Paraná, no final do ano passado.
A CAE se reúne na próxima terça-feira para analisar o repasse pelo governo federal de R$ 3,7 bilhões. O passivo do Banestado é avaliado em R$ 4,1 bilhões. Do bolo, R$ 3,7 bilhões serão injetados pela União e o restante, cerca de R$ 400 milhões, pelo governo estadual. O pedido de empréstimo se arrasta há pelo menos quatro meses. O governo tem pressa na liberação das primeiras parcelas do empréstimo. Até meados do ano que vem, o Banestado tem de estar em boas condições financeiras para se tornar atrativo para a iniciativa privada.

mockup