Curitiba - A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou ontem, por unanimidade, o empréstimo de US$ 60 milhões (aproximadamente R$ 144 milhões) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ao governo do Paraná. Os recursos serão utilizados no Programa "Família Paranaense", de inclusão social e requalificação urbana. O pedido seguiu em regime de urgência para deliberação do plenário, devendo ser apreciado na sessão de hoje, como item extrapauta. Depois de passar pela Casa, a operação volta à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), para os trâmites finais.
Durante a discussão da matéria, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) negou qualquer tratamento discriminatório ao Estado, cujo governador, Beto Richa (PSDB), é seu adversário político. De acordo com a ex-ministra da Casa Civil, que deve disputar com o tucano a eleição ao Palácio Iguaçu, o pedido foi analisado e encaminhado ao Congresso em menos de 30 dias.
Já o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), aliado de Beto, disse que há sim discriminação ao Estado, citando como exemplo a dificuldade de obter recursos do Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal (Proinveste). A linha de crédito em questão foi liberada na semana passada, após o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), conceder liminar favorável ao Executivo estadual.
O terceiro senador paranaense, Roberto Requião (PMDB), que também é membro titular da CAE, não compareceu à votação porque estava em Montevidéu, no Uruguai, em reunião do Parlamento do Mercosul (Parlasul).

Polêmica
Como tem acontecido nos últimos meses, a aprovação do empréstimo repercutiu ontem na Assembleia Legislativa (AL). O líder do governo, Ademar Traiano (PSDB), falou que a senadora só deu o aval por ter ficado "envergonhada" com a concessão da liminar do Proinveste pelo STF. "A Suprema Corte do País aprovou o nosso pedido de empréstimo, reconhecendo que o Paraná hoje tem uma situação em relação as suas contas equilibradas, coisa que ela (Gleisi) não afirmava", criticou.
Já o líder da oposição, Elton Welter (PT), atribuiu a demora a uma suposta inabilidade técnica da administração estadual. "O governo levou três anos para resolver as certidões. Nenhum cidadão, nenhum Estado, nenhum prefeito ou governador consegue empréstimo se não estiver com a sua situação em dia. Isso é Lei de Responsabilidade Fiscal. Todos os governos tucanos do País, inclusive, resolveram bem antes e conseguiram", rebateu. (Com Agência Senado)

mockup