Curitiba - Luiz Edson Fachin deve ser o segundo paranaense a ocupar uma cadeira no STF. Até hoje, somente o advogado Ubaldino do Amaral, nascido na Lapa, representou o Estado na corte entre 1894 e 1896. A primeira vez que seu nome foi cogitado para o STF ocorreu em 2006, mas as vagas foram preenchidas por Carmen Lúcia e Ricardo Lewandowski. Em 2010, participou novamente da "disputa", mas o nome escolhido foi o de Luiz Fux. Em 2013, para a cadeira deixada por Carlos Ayres Britto, a sua nomeação era dada como quase certa, mas acabou perdendo para Luis Roberto Barroso.

Fachin tem 57 anos e nasceu no município de Águas de Rondinha, interior do Rio Grande do Sul, mas permaneceu pouco tempo na região. Filho único de uma professora e de um pequeno agricultor, aos dois anos de idade, mudou-se com a família para a Paraná, em Toledo (Oeste). Aos 17 anos passou a viver em Curitiba, onde estudou, estruturou a carreira e constituiu família.

O jurista é formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná. Depois, fez mestrado e doutorado na PUC de São Paulo e pós-doutorado no Canadá. Foi professor visitante do King’s College, da Inglaterra, e pesquisador convidado do Instituto Max Planck, da Alemanha. Na Espanha, lecionou na Universidad Pablo de Olavide, na cidade de Sevilha.

É professor titular de Direito Civil da UFPR, e já atuou como diretor da instituição. Exerceu a função de coordenador da área de pós-graduação em Direito junto à CAPES/MEC e também de docente do curso pós-graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Ele fez parte também da comissão do Ministério da Justiça que discutiu a reforma do judiciário e atuou como colaborador, no Senado Federal, do grupo que elaborou o novo Código Civil Brasileiro. Ao longo da carreira, recebeu 20 premiações ou títulos honorários. É autor de 145 artigos especializados e de 42 livros publicados ou organizados em edições.

Para o diretor do setor de Ciências Jurídicas da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, o apoio que Fachin prestou à presidente Dilma não compromete a idoneidade ou a imparcialidade dele para o cargo no STF. Ele destacou os méritos científicos de Fachin e o seu "notório saber acadêmico". "Tem uma civilidade exemplar, além de ser um professor que marcou gerações de alunos", disse. Comentou ainda que Fachin influenciou juristas de Norte a Sul do Brasil.

Fonseca destacou que Fachin é voltado principalmente para o Direito de Família e para constitucionalização do Direito Civil, ou seja, faz uma releitura progressista do Direito Civil à luz da Constituição.

Ricardo Calderon, que foi aluno de mestrado de Fachin na UFPR, acredita que a escolha do jurista se deu por um conjunto de fatores. "Ele criou uma geração de juristas de Direito Civil Constitucional", destacou. Além disso, Calderon lembrou que ele é conhecido no mundo todo. Mas, acredita que o principal motivo que levou à indicação da presidente Dilma foi a carreira acadêmica. "Como professor, é um mestre na acepção do termo. Ele aponta caminhos, cobra dos alunos e confere segurança. É um apaixonado pela pesquisa", disse.

Fachin é casado, há 38 anos, com Rosana Amara Girardi Fachin, desembargadora do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Eles têm duas filhas e dois netos. (Andrea Bertoldi/Reportagem Local)

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