Advogados de réus do processo relativo à Operação Publicano 1 criticaram a ausência total da sociedade nas audiências que estão sendo realizadas desde segunda-feira. Além da representante do Ministério Público, a promotora Leila Schimiti, dos advogados, estagiários, alguns réus (eles não são obrigados a comparecer) e jornalistas, praticamente ninguém compareceu até agora.
"Trata-se, sem dúvida nenhuma, do maior processo em termos financeiros da história de Londrina e ninguém veio acompanhar as audiências", cobrou o advogado Eduardo Duarte Ferreira, defensor do principal delator do esquema criminoso na Receita de Londrina, o auditor Luiz Antonio de Souza, e de outros réus. "Cadê os movimentos que cobram transparência, cadê o grupo de apoio às investigações, cadê o Vai Gaeco (grupo formado em rede social)?"
Essa ausência da sociedade faz o advogado concluir que "alguns movimentos têm motivação política". Ele também notou a ausência de entidades de classe, como a Associação Comercial e Industrial (Acil), que tradicionalmente cobra transparência em casos que envolvem corrupção, e de representantes do "outro lado". "Não há representante da comissão de prerrogativas da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) ou do sindicato dos auditores. Todos deveriam estar aqui", afirmou Ferreira.
"As pessoas dão credibilidade à versão inicial e agora é o momento em que esta versão é contestada e a sociedade deveria participar, deveria estar atenta", afirmou outro advogado, Fernando Boberg.
A promotora Leila Schimiti evitou falar sobre a ausência da sociedade civil, mas considera as audiências do processo "uma situação de extrema importância para a sociedade de Londrina e do Paraná" e acredita as pessoas estão acompanhando por meio da imprensa. (L.C.)

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