'Caciques' da política desembarcam em Londrina
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Na reta final do segundo turno em Londrina, os candidatos à Prefeitura Antonio Belinati (PP) e Luiz Carlos Hauly (PSDB) receberam ontem o reforço de caciques da política nacional e estadual na estratégia que, até semana que vem, deve trazer à cidade novas declarações de apoio do gênero. A lista tem o ministro das Cidades, Márcio Fortes, que chegou à noite e em seguida participou de um comício pró-Belinati no Conjunto Aquiles Stenghel (Zona Norte), região em que o pepista obteve vantagem de 60% a mais de votos que o tucano. Em contrapartida, Hauly, que esta semana recebera visita do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, contou ontem com as adesões do presidente nacional do PPS, Roberto Freire, do presidente estadual do PDT, senador Osmar Dias, e, hoje, recebe a do prefeito de Curitiba, Beto Richa. Segunda, é a vez do governador de São Paulo, o tucano José Serra.
Acompanhado do presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, Freire explicou que o apoio ao PSDB faz parte de uma estratégia do partido ''pensada nacionalmente, já como o embrião para uma relação mais estreita em 2010 (eleições estaduais e federais). E também porque reconheço no Hauly um homem público sério, vi o trabalho dele pela Constituinte'', alfinetou. Indagado sobre a coligação do PPS com o PDT, no primeiro turno, que rendeu uma série de farpas públicas e de bastidores justamente com a coligação tucana, Freire resumiu: ''Têm que ser superados quaisquer constrangimentos - o que não cabe é a omissão da neutralidade''.
Já Osmar exaltou o apoio de Hauly na eleição para o governo do Estado, em 2006, para justificar a manifestação de agora. Porém, evitou comentários sobre a estratégia que derrubou o candidato de seu partido, deputado federal Barbosa Neto, de avançar para o segundo turno por menos de 2 mil votos. ''Quando se perde por 500 mil votos, é por um motivo; agora 10 mil votos, ou menos, são 200, 300 motivos. E se eles existem, é corrigi-los para uma eleição futura'', encerrou. A FOLHA quis saber o que o senador acha da posição de neutralidade/omissão citada minutos antes por Freire - Barbosa, pelo diretório municipal do PDT, não declarou apoio a ninguém. ''Em se tratando do Barbosa, não acho omissão, é mais uma posição de não querer influenciar seu eleitor. Mas minha omissão seria imperdoável. A omissão em política é imperdoável''.
Já o ministro explicou à FOLHA, por telefone, pouco antes de embarcar a Londrina, que a intenção aqui é ''demonstrar que o candidato de três mandatos tem relações em Brasília no Congresso e no Executivo para os projetos de que necessitar'', disse, para ressalvar: ''Mas recebemos pedidos do Brasil inteiro''.
Fortes - que afirmou estar em férias de dois dias, durante a viagem ao Sul - se declarou ''seguro'' sobre a defesa do ex-prefeito no palanque, apesar da cassação ocorrida no terceiro mandato, em junho de 2000. ''Se ele está liberado pela Justiça para concorrer, jamais me colocaria acima da Justiça. Se a decisão fosse negativa, a respeitaria tranquilamente'', asseverou.


