Cacique faz candidatos assinarem compromisso
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sexta-feira, 13 de setembro de 2002
Marcos Espíndola<BR>Reportagem Local 
Tamarana Quando o assunto é política, para o cacique da Reserva Indígena Apucaraninha, Moisés Lourenço, 32 anos, palavra empenhada já não é mais a garantia do compromisso assumido. Nestas eleições os indígenas que moram em Tamarana (63 km ao sul de Londrina) adotaram o expediente da precaução com relação aos candidatos que começam a dar o ar da graça na aldeia. Os políticos estão sendo induzidos pelo cacique a assinar um termo, comprometendo-se a garantir algumas reivindicações, como um trator para auxiliar nas lavouras de feijão, milho e arroz, e o asfaltamento da estrada que liga a aldeia ao Distrito de Lerroville, zona sul de Londrina. O documento em posse do cacique já conta com a rubrica de três candidatos a deputado estadual.
Segundo Lourenço, diante de tantas promessas e pouco resultado, a comunidade está desconfiada dos políticos. ''Nós estamos esquecidos aqui'', diz o cacique. Os caingangues de Apucaraninha formam uma população de 1,2 mil pessoas, sendo 800 votantes, de acordo com as lideranças da aldeia.
A aldeia, ainda que na sua grande maioria seja formada por famílias de baixa renda, muitas com ganho mensal de apenas um salário mínimo, conta com uma escola e um posto de saúde, além de energia elétrica e abastecimento de água. Uma situação relativamente tranquila se comparado com alguns assentamentos da periferia de Londrina, por exemplo.
Os casebres feitos com madeira e cobertos com palha aos poucos vão sendo substituídos por casas de alvenaria, garantidas através de um programa do governo do Estado. ''Mas os candidatos a deputado federal até agora não apareceram, porque precisamos também de alguém lá em Brasília que olhe pelo nosso povo''.
Transporte- A totalidade dos eleitores da aldeia vota em Lerroville, distante 27 quilômetros. Na última eleição para governador e presidente, relata o cacique, mais da metade ficou sem votar. O motivo foi a falta de transporte. Apenas um ônibus, explica Lourenço, foi cedido para o transporte dos indígenas. ''O ônibus chegou bem cedo e partiu lotado, mas só retornou no final da tarde, quando já não dava mais tempo para ir voltar. Até eu fiquei para trás'', lembra Lourenço. Agora os caingangues estão se articulando para conseguir pelo menos duas lotações.
Outra preocupação do cacique é quanto ao manuseio da urna eletrônica pelos índios que, adverte, não foram devidamente instruídos. O professor Jorge de Almeida, 28 anos, assegura que isso não será problema para ele e a esposa. ''O que eu espero é uma educação melhor para as nossas crianças e um aumento no nosso salário (R$ 200,00 por mês )'', explica Almeida. Ele atribui à força do voto a casinha de alvenaria que está conseguindo construir com auxílio de um programa governamental, onde residirá com a esposa e os três filhos. Até então, a família Almeida divide uma pequena morada típica de boa parte dos indígenas da aldeia. Segundo o professor, é participando do processo eleitoral que os caingangues poderão pressionar as esferas governamentais.


